Especialista em Processo Civil, formada pela Universidade Gama Filho em 1995, a advogada e professora Sylvia Drumond ocupa o cargo de vice-presidente da OABRJ neste triênio de 2025-2027 movida pela importância da representação feminina dentro da Ordem, numa estrutura cada vez mais voltada para a advocacia. A advogada também inicia sua gestão ocupando um outro grande cargo com pioneirismo: ser a primeira mulher a presidir o Tribunal de Ética e Disciplina da Seccional. “Acima de tudo, vamos precisar demonstrar capacidade de gestão, vivemos um momento inusitado, com presidente e vice-presidente mulheres na OABRJ pela primeira vez, e, hoje, o nosso grande desafio é deixar uma marca”, afirma. “Quando me refiro à gestão, estou falando no sentido concreto, de uma OABRJ realmente voltada para o que a advocacia precisa. Aproximando a classe da instituição. Precisamos gerir para reduzir a anuidade, precisamos capacitar a advocacia através da Escola Superior da Advocacia [ESA] e precisamos voltar ainda mais nossos olhares para as subseções". E Sylvia fala da Ordem com conhecimento de causa, pois já era um nome conhecido da advocacia fluminense antes mesmo das eleições da OABRJ de 2024: começou a atuação institucional como braço direito do ex-presidente Luciano Bandeira na criação da OAB/Barra da Tijuca, no triênio 2007-2009, e se candidatou à presidência da Seccional como oposição em 2021, ficando em segundo lugar, com 25,94% dos votos. Drumond fundou seu próprio escritório há mais de 20 anos e carrega, além da atuação na base da advocacia, o magistério como paixão. A advogada atua em instituições importantes, como a Escola da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro (Emerj), a Fundação Escola Superior do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (Femperj) e a Associação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (Amperj), o que reforça seu contato com aqueles que pretendem ou acabaram de ingressar no mercado de trabalho. “Muita gente se refere a mim como Sylvia Drumond, professora. Eu tenho o lado da advocacia, mas também tenho essa parte acadêmica, que, inclusive, foi o que me aproximou totalmente da Ordem”, afirma. Sobre o TED, Sylvia reconhece a importância e a responsabilidade necessárias à frente da função. “Em 95 anos de Ordem, poder viver esse momento com Ana Tereza Basilio, primeira presidente mulher da OABRJ, e assumir também a condição de primeira mulher presidente do TED, é absolutamente simbólico. Mas, por outro lado, acho que isso nos traz uma responsabilidade muito grande." “A verdade é que nós, mulheres, temos que nos provar mais todos os dias. Eu vivo isso na advocacia, eu vivo isso na sala de aula, a necessidade de que a nossa competência realmente vá à frente. As pessoas verão que, acima de tudo, existem aqui, independentemente do gênero, duas pessoas que são absolutamente competentes e que, de fato, desejam muito lutar pelo engrandecimento da advocacia”, completou. Ela também ressaltou que a equidade e o combate à violência de gênero serão pautas fundamentais. Em 2023, o Poder Executivo sancionou a Lei 14.612, que determina a suspensão do exercício advocatício de profissionais condenados por assédio moral, assédio sexual e discriminação. Com a regulamentação, essas práticas passaram a integrar o rol de infrações ético-disciplinares. Esse marco, tão importante para as mulheres, será tratado com atenção pelo TED. “A gente vive um momento muito delicado, em que precisamos ter uma atenção especial para casos desse tipo. A dívida da sociedade com a mulher é muito grande e, de alguma forma, isso precisa ser resgatado. Mas o cuidado para não haver uma generalização talvez seja o ponto mais delicado para se realizar um enfrentamento. Vamos trabalhar com cautela e talvez este seja um dos pontos mais sensíveis para a gente junto ao Tribunal de Ética.” A presidente encara a missão ético-disciplinar como um grande desafio e pretende se comprometer com medidas voltadas para a melhoria da dinâmica processual, como a informatização dos processos, inclusive para os advogados e advogadas do interior do estado. “Os processos do Tribunal precisam ser informatizados. A advocacia do interior precisa se deslocar até a sede da Seccional para acompanhar o andamento dos processos. A gente quer continuar garantindo a instrução adequada e, principalmente, uma maior publicização desses processos." Para Drumond, o papel do Tribunal de Ética e Disciplina vai muito além da penalidade. Ela ressalta que o órgão também é fundamental no trato com a classe. “Nós pretendemos fazer um trabalho de deontologia jurídica junto à advocacia. Porque, se por um lado brigamos muito para que o advogado tenha a sua prerrogativa respeitada, também precisamos contribuir para que esse advogado tenha o conhecimento necessário sobre o que pode efetivamente caracteriza uma violação ética, o que ele pode evitar, e isto certamente só irá contribuir para o aperfeiçoamento profissional".Esse diálogo também se intensifica com sua forte presença nas redes sociais, meio pelo qual aproveita seus anos de profissão para compartilhar dicas e experiências com outros colegas. Quando questionada sobre a produção de conteúdo da advocacia nas plataformas, Sylvia reforça a importância do trabalho da Ordem na regulamentação da presença da advocacia nas mídias sociais. Segundo ela, entender e acompanhar as evoluções tecnológicas é absolutamente salutar, mas, ao mesmo tempo, a instituição não pode fechar os olhos para o próprio código de ética. “Isso é um ponto que me preocupa demasiadamente. Como a advocacia tem se apresentado nas redes sociais? O que tem sido oferecido nas redes sociais? Então, é um ponto absolutamente delicado e que vai exigir, por parte da equipe do TED, uma atenção. Precisamos flexibilizar a legislação, permitindo alguma forma de publicidade, mas a ética tem que ser respeitada. E hoje, infelizmente, em alguns momentos, quando eu acompanho as redes sociais, alguma forma de publicidade nos preocupa." E ao falar sobre sua participação nas redes, Sylvia conta que foi nesse espaço que recebeu muitos questionamentos a respeito da união com Ana Tereza Basilio, que integrava a gestão à qual ela se opôs no último processo eleitoral. “Eu não poderia admitir, por tudo o que eu defendo, que essa eleição fosse uma briga de mulheres, como muitos achavam que seria. Acho que mostramos, especialmente, essa capacidade de união, e quando começamos a unir as pautas, vimos que eram as mesmas." “Na campanha passada, fui de oposição e digo que isso hoje faz parte do meu currículo. Falo isso com muito orgulho, porque foi uma oposição de pautas, mas a gente precisa confessar que não é fácil. Então, nessa posição que eu ocupo hoje, gostaria de deixar um legado, principalmente para as mulheres. Para que elas se atirem aos cargos de poder, que busquem espaço, que se unam". Veja também o perfil dos outros integrantes da diretoria da OABRJ: Ana Tereza Basilio (presidente)Fábio Nogueira (tesoureiro) Rafael Borges (secretário-geral) Sérgio Antunes (secretário-adjunto)