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03/08/2018 - 20:58

Homenagem a D. Lyda lembra luta da Ordem contra a ditadura militar

Homenagem a D. Lyda lembra luta da Ordem contra a ditadura militar

 

Amanda Lopes

 

A atuação da OAB, durante a ditatura militar, como defensora da sociedade democrática e a defesa do julgamento de torturadores pertencentes ao aparelho repressivo deram a tônica do ato que homenageou a funcionária Lyda Monteiro, vítima de uma carta-bomba endereçada ao então presidente do Conselho Federal, Eduardo Seabra Fagundes.

 

O secretário nacional de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi - que participou da homenagem junto com o presidente da OAB/RJ, Wadih Damous, com o filho de dona Lyda, Luiz Felippe Monteiro Dias, e com Seabra Fagundes - associou o ocorrido em 1979 a uma série de outros atos de terrorismo cometidos durante a ditadura contra pessoas relacionadas a organizações que lutavam pela democracia.

 

Vanucchi destacou também que o Supremo Tribunal Federal deve decidir em breve sobre uma ação, proposta pelo Conselho Federal, que pede o fim da anistia para torturadores: "Espero que o STF decida pelo fim da impunidade. Caso contrário, aumentará muito a chance de o país voltar ao ciclo de violência".

 

Wadih, que inaugurou uma placa alusiva à dona Lyda, fez questão de citar, um a um, os nomes dos advogados que se destacaram na luta pela anistia. "A OAB/RJ tem o dever de homenagear os advogados que não faltaram à cidadania do país", afirmou, para em seguida emendar a lista que incluía, entre outros, Evandro Lins e Silva, Raymundo Faoro e Humberto Telles.

 

Já o filho da homenageada e também advogado, Luiz Felippe Monteiro Dias, salientou a importância de se esclarecer o crime, até hoje não elucidado. "Na época do atentado, a apuração dos fatos não deixou de ser um instrumento de barganha em troca da anistia. Apesar disso, o ato de hoje não se trata de revanchismo. O que precisamos é que a história seja reescrita, mas contendo todas as informações", disse.

 

Destinatário da carta que vitimou a funcionária, Seabra Fagundes lembrou, emocionado, os detalhes do atentado e ressaltou que o ataque tinha o claro objetivo de enfraquecer a instituição. "O ataque não era endereçado ao presidente, mas à instituição que ousou se opor à ditadura", sublinhou.

 

Compuseram a mesa também o ex-presidente do Conselho Federal Hermann Assis Baeta, o presidente do Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB), Henrique Maués, e o representante da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, Marcos Antônio Rodrigues Barbosa. O evento contou ainda com a presença da secretária de Cultura do Rio de Janeiro, Jandira Feghalli.

 

Símbolo da luta pela anistia

 

No ato que lembrou o atentado, também foi feita uma homenagem à Iramaya Benjamin, mãe de dois presos políticos na época da ditadura  militar e uma das pioneiras na luta pela Lei de Anistia. A OAB/RJ confeccionou um placa para Iramaya. Na foto, da esq. para a dir., Arthur Müller, Iramaya, Marcelo Chalréo e Marcus Vinícius Cordeiro.


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