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03/08/2018 - 20:57

Especialistas divergem sobre obrigatoriedade do diploma de jornalista, derrubada pelo STF

Especialistas divergem sobre obrigatoriedade do diploma de jornalista, derrubada pelo STF

 

Os efeitos da revogação da Lei da Imprensa e o fim da obrigatoriedade do diploma de jornalista, decididos recentemente pelo Supremo Tribunal Federal (STF), foram o tema da discussão que a Escola Superior de Advocacia (ESA) promoveu no dia 24 de junho. O vice-diretor da ESA, Carlos José de Souza Guimarães, mediou o evento, que teve como debatedores o superintendente de Jornalismo da Seccional, Cid Benjamin, e a jornalista e advogada Leise Taveira.

 

O público, formado majoritariamente por estudantes de Comunicação Social e advogados, mostrou-se dividido entre a necessidade de diploma específico, defendida por Leise, e a abertura da prática jornalística para outros profissionais de notório saber, teoria abraçada por Cid. "Acredito que um profissional com sólidos conhecimentos gerais pode aprender as técnicas específicas do jornalismo em seis meses. A faculdade de Comunicação ajuda a melhorar seus alunos, mas não é garantia de formar um bom profissional", argumentou ele.

 

Leise, por sua vez, disse temer pelo futuro da categoria, uma vez que a carreira ficou totalmente desregulamentada. "As empresas podem, hoje, contratar um aluno do ensino médio pra escrever em um jornal, ganhando R$ 500. Isso é absurdo, o jornalista tem o poder de, com um erro, destruir a reputação de uma pessoa", ressaltou.

 

Foram citados casos notórios de erros da imprensa, como o da Escola Base, em São Paulo, cujos donos foram acusados de pedofilia por jornais e revistas. O fato foi amplamente divulgado pela imprensa e os proprietários do colégio, execrados pela opinião pública. Tempos depois, descobriu-se que as acusações eram falsas, mas o mal já estava feito.

 

Cid lembrou que um dos pontos que necessitam de regulamentação é a concessão do direito de resposta, que agora deve ser estipulado por um juiz, mediante processo. "Esse é o tipo de problema que precisa ter uma solução rápida", observou.

 

Leise encerrou sua fala estimulando uma maior participação da sociedade em busca de soluções para o tema, "com uma mobilização dos jornalistas e das entidades". Para o vice-diretor da ESA, talvez fosse o caso de questionar a constitucionalidade. "Houve um julgamento político da questão do diploma e esta decisão pode ser revisada", salientou Carlos José.


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