A campanha 'Vacina é direito', elaborada pela OABRJ - por meio do Observatório da Covid-19 - e pela Caarj para estimular a advocacia a se vacinar assim que o Plano Nacional de Imunizações permitir, ganhou o apoio de mais uma liderança da Seccional. 

A presidente da Comissão Especial de Atendimento à Pessoa Idosa da Seccional e assessora especial da Presidência da Caarj, Fátima Henriette, de 57 anos, tomou recentemente a primeira dose da vacina Oxford/AstraZeneca e diz não ter tido os tão falados incômodos físicos, somente uma forte reação emocional:  “Chorei muito, exaltei o SUS”, lembra ela. 

A advogada sentiu os efeitos da pandemia logo nos primeiros momentos, quando, em março, funcionários de uma agência do Banco do Brasil lhe recusaram um atendimento agendado para sacar um precatório de alto valor.

“Fui barrada na porta do fórum junto com a cliente que tinha vindo de fora do Rio”, lembra. “Tinha acabado de chegar de viagem e não sabia o que estava acontecendo, foram momentos de grande tensão. Com a ajuda da Comissão de Prerrogativas da OABRJ, consegui sacar a quantia em outra agência". 

A sensação que se instalou foi a de estar perdida e de incerteza em relação à continuidade da carreira, que nunca havia entrado em pausa desde a formatura, em 1983. 

“Tive pesadelos, senti muito medo de nunca mais conseguir advogar. Busquei forças na minha fé e em minha mãe, de 90 anos de idade, que me dizia: ‘Você não é filha do medo’ e que nada me faltaria”, conta ela, sem conter as lágrimas.

“Sabia que precisava me manter firme para honrar o tempo de advocacia que acumulei e manter a imagem de firmeza que construí perante o olhar dos meus colegas mais jovens”. 

Formada pelo Instituto Metodista Bennett, Fátima atua notadamente nas áreas de Administrativo e gestão pública. Foi abraçar a causa do idoso quando se tornou presidente de comissão da Ordem, nesta gestão Luciano Bandeira. No microcosmo do condomínio onde mora, na Praia do Flamengo, organizou um grupo para oferecer ajuda aos vizinhos de mais idade e centralizar a arrecadação de material de limpeza para um asilo em Guadalupe, na Zona Norte, que visitou durante a quarentena.

Muitos dos vizinhos - não só os mais velhos amparados - acabaram sendo levados pela Covid. Na época das festas de final de ano, um sobrinho de 35 anos de Fátima chegou a ser internado em Nova Friburgo, onde a família é radicada, e conseguiu  sobreviver.   

Sobre o "novo normal", a advogada diz não ter se afeiçoado à digitalização completa da vida cotidiana, acha “muito frio”. 

“Venho de uma cultura em que se batia na porta e o juiz te atendia. As pessoas hoje estão sem paciência, demonstram desconforto com a presença do outro”. 

É uma “otimista de pé no chão” em relação ao futuro próximo.  

“A queda foi muito grande para os colegas. Os idosos enfrentam dificuldades de inclusão digital e muitos jovens não têm acesso às ferramentas. Foram muito bem-vindos os escritórios digitais que a OABRJ está oferecendo nos pontos de atendimento e as oportunidades de capacitação profissional. Vejo muitos com dificuldades até para se alimentar e vestir-se bem, algo importante na nossa carreira. A classe precisa se unir neste momento e não perder tempo em rusgas nas redes sociais”.