Dea Rita Matozinhos é mais um grande nome da advocacia fluminense a apoiar a campanha da OABRJ - por meio do Observatório da Covid-19 - e da Caarj, “Vacina é direito”. Partindo do princípio de que a confiança na ciência é o único meio de pôr fim à pandemia, a iniciativa incentiva os colegas a se vacinarem contra a covid assim que o Programa Nacional de Imunização permitir.

A criminalista de 77 anos está prestes a tomar a segunda dose da vacina Oxford/AstraZeneca e descreve uma sensação de enorme alívio pela imunização. 

“Todos os dias tenho notícias de amigos ou conhecidos que foram internados ou faleceram, grandes nomes do Direito. No grupo de criminalistas do qual participo no WhatsApp, é raro o dia em que não se fale de pessoas vitimadas. A sensação é de que a cada momento, a doença chega mais perto”.

Dea lamenta que o país esteja sofrendo com a insensibilidade das lideranças políticas, que deveriam estar guiando uma reação coordenada à pandemia.

“Mas, ao contrário, acabamos retrocedendo à época da Revolta da Vacina (1904), quando se espalhou o boato de que quem se vacinasse desenvolveria características de vaca. Agora, é jacaré. Afirmar o direito à vacinação é falar do direito à vida”.

Em atuação na área do Direito Penal desde 1979, quando concluiu numa faculdade particular o bacharelado iniciado na Universidade Federal de Juiz de Fora para conseguir dar conta de trabalhar de dia e estudar à noite, Déa é professora de Direito Processual Penal e de Prática de Processo Penal.

Foi conselheira da OABRJ por dois triênios e, em gestões anteriores, presidiu uma turma do Tribunal de Ética e Disciplina da Seccional, integrou a 2ª Câmara Especializada da Seccional e a Comissão Especial de Direito Penal. 

“Um dos orgulhos da advocacia é que a OAB não se encastela. Estamos atentos e informados sobre tudo o que está acontecendo em todos os níveis da sociedade. A advocacia sempre esteve presente nos movimentos sociais mais relevantes ao longo da história nacional, atuando pela liberdade e pela manutenção e aprimoramento do regime democrático”.

Para ela, o isolamento social e a imposição do home office não foram um choque, já que Dea mora e trabalha há alguns anos numa chácara na Serra Fluminense e leva a vida que a deixava feliz quando criança: cercada de verde e de animais. O filho, Gustavo Filgueiras, é quem fica na linha de frente do escritório no Centro do Rio. 

“Eu me dei o direito de desacelerar mesmo antes da pandemia, afinal, trabalho desde os 12 anos de idade como artista mirim. Tocava acordeon, dançava balé, declamava, participei de programas de rádio...e com isso ganhei bolsas de estudos”.