30/05/2016 - 15:54 | última atualização em 30/05/2016 - 18:55

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Seminário da OAB Mulher aborda construção dos padrões de gênero

redação da Tribuna do Advogado

Foto: Lula Aparício   |   Clique para ampliar
A saúde é um dos focos do Plano de Valorização da Mulher Advogada, programa lançado pelo Conselho Federal com adesão de todas as Seccionais no ano marcado pela causa. Isso porque a jornada exaustiva das profissionais, conciliada com afazeres domésticos derivados de uma cultura de padronização de gêneros é, muitas vezes, causa de estresse e outros problemas de saúde.
 
Procurando abordar a questão de forma ampla, apresentando um suporte para dúvidas de colegas em relação a fatores comuns das mulheres, a Comissão OAB Mulher, da OAB/RJ, reuniu nesta segunda-feira, dia 30, especialistas da área de saúde para falar do que aflige a maioria das profissionais tanto no campo psicológico quanto físico.
 
Presidente da comissão, Daniela Gusmão contou que o evento foi pensado para lembrar o Dia da Saúde da Mulher e de combate à mortalidade materna, celebrado em 28 de maio. Porém, ela frisou que, após a repercussão, na última quarta-feira, dia 25, do caso de uma adolescente estuprada por cerca de 30 homens na Zona Oeste, o evento ganhou outra força: a expansão da discussão sobre a violência contra a mulher.
 
“Que a gente possa usar esse acontecimento como pedra fundamental para a mudança dessa cultura, nos unir como sociedade civil, entidades públicas e provadas em torno da questão”, ressaltou, explicando que a comissão trataria mais profundamente do assunto em outro evento, na mesma data.
 
Especialista em questões familiares e sexologia, a psicóloga Verônica Gusmão parafraseou a filósofa francesa Simone de Beauvoir – cuja frase “Não se nasce mulher, torna-se mulher”, da sua obra O Segundo Sexo, escrita no fim dos anos 1940, é uma das mais famosas no universo feminista até hoje – para explicar que a definição de mulher é fruto de um imaginário coletivo e que, atualmente, as “engessa” em um modelo.
 
“Antes éramos reduzidas ao papel de mãe e esposa. Agora, podemos dizer que estamos engessadas. O que devemos entender é que não há um modelo necessariamente que possa contemplar a todas as mulheres. A quantidade de pessoas com inadequação emocional, que não entendem o que devem ser, que recebo em meu consultório é alarmante. As mulheres hoje se sentem evoluídas e precisando evoluir continuamente, mas sem necessariamente se entenderem, apenas se sobrecarregando”, observou a psicóloga.
 
Para ela, o foco, após as conquistas políticas alcançadas, é uma mudança de cultura. “Ocupamos agora alguns espaços que pertenciam aos homens. Mas a igualdade por si só não garante nossos direitos. É preciso equidade”, afirmou, abordando o respeito a subjetividade de cada mulher: “É a imposição cultural ainda existente que mais traz problemas para nossa saúde emocional”.
 
Segundo Verônica, para isso é preciso uma mudança desde a criação dos filhos até o entendimento dos homens como aliados: “A base dessa mudança não é a luta de homens com mulheres. É a união. Isso se dá tanto em campanhas como a da ONU Mulheres, abraçada pela OAB/RJ [Eles por Elas], quanto quando a mãe entende que não só a filha que precisa brincar de boneca, é o menino também. Quando digo bonecos, não são os de luta. É o menino aprender também valores familiares passados em brincadeiras”.
 
Ela lembrou também das gincanas frequentemente realizadas com crianças em que se separam grupos de meninos contra meninas. “É a mesma lógica do termo “sexo oposto”. Oposto a quê? Essa colocação de um contra o outro é que precisa ser desconstruída. E os homens devem fazer parte dessa mudança de educação. É importante que eles se sintam convidados a participar, mas também que desejem se construir como novos homens, capazes de dividir igualitariamente as tarefas da vida e da profissão”.
 
O sexólogo Marcos Ribeiro também abordou a relação das crianças com gêneros e sexualidade. “A sexualidade já começa a ser construída antes mesmo da criança nascer. Isso se dá com o planejamento de um enxoval de menina rosa e de menino, azul, com as expressões usadas no nascimento: “minha princesa”, em oposição a “meu herói”. Esse tratamento demonstra uma expectativa dos pais com o comportamento dos filhos”.
 
Segundo ele, possibilitar a vivência da sexualidade de forma mais livre na infância evitaria muitos problemas de relacionamento na vida adulta: “Inclusive essa cultura do estupro, na qual o homem se sente no direito de dominar o corpo da mulher é quase natural no universo masculino”.
 
Levando o tema para outra questão, o endocrinologista Francisco Tostes abordou as dúvidas em relação a proteção anticoncepcional, menopausa, TPM, e fatores típicos da terceira idade, como enfraquecimento dos ossos, mostrando que é possível amenizar ou até mesmo eliminar alguns desconfortos comuns com hábitos de vida saudáveis.
 
Já a nutricionista Andrea Santa Rosa Alimentos demonstrou que a causa de muitos problemas de saúde comuns às mulheres está em sua dieta adaptada à vida moderna e corrida, com ingestão excessiva de glúten, lactose e gordura. Ela apresentou também benefícios da dieta macrobiótica.
 
A vice-presidente da OAB Mulher, Marisa Gaudio, também participou do evento.
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