Secretária-adjunta da OABRJ e presidente da Associação Carioca dos Advogados Trabalhistas (Acat), Mônica Alexandre Santos foi homenageada na noite de quinta-feira, dia 28, com a Medalha Pedro Ernesto, a mais alta comenda da Câmara Municipal do Rio de Janeiro. A cerimônia honrou a trajetória da advogada como militante da Justiça do Trabalho e figura importante na luta pelo direito da população à justiça social. A iniciativa foi da vereadora Luciana Boiteux (Psol-RJ), que comandou a solenidade. Embalada pela canção “Cordeiro de Nanã”, do grupo Os Tincoãs, ao fazer o discurso na tribuna que leva o nome de Marielle Franco (assassinada em março de 2018), Mônica honrou sua ancestralidade e relembrou os obstáculos enfrentados na profissão. “Eu mereço, eu aceito e eu recebo essa homenagem. Agradeço à vereadora Luciana Boiteux por me proporcionar a oportunidade de dar visibilidade aos meus e a quem nunca teve acesso a esse direito antes”, declarou. “Sou uma mulher negra, periférica e quando iniciei a carreira como estagiária, trajava um cabelo black. Agradeço aos meus ancestrais, porque o caminho escrito por eles para mim lá atrás está sendo cumprido e continuarei o honrando. Sou uma mulher de Nanã e isso me faz ser resiliente e alguém que não desiste dos seus objetivos”. A secretária-adjunta da Seccional encerrou sua fala dando esperança a jovens negros. “Com a advocacia pude mudar minha condição social e transformar a vida de pessoas ao meu redor. A Medalha Pedro Ernesto que recebo hoje contempla minha trajetória, na qual pude, através do meu trabalho e empenho, enxergar possibilidades". Desembargador do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região, José Luís Campos Xavier destacou as adversidades enfrentadas por Mônica na profissão. “É muito difícil chegar onde a Mônica chegou, ainda mais permanecer neste posto. Nestes tempos há um desafio, a inquietação e a necessidade de não querer parar de lutar por direitos. Ela representa uma advocacia que não se cala e que atua na defesa intransigente da sociedade”, ponderou o desembargador. Ao relembrar os dias de luta no enfrentamento do racismo, em suas diversas faces, nos espaços de poder, a professora-adjunta da Universidade do Estado do Rio de Janeiro Glorya Ramos ressaltou: “Mônica não é minha irmã de sangue, mas, sim de trajetória, de sororidade, de combate ao racismo, de luta por direitos e equidade”, frisou Glorya. “Esta homenagem é mais do que merecida, porque Mônica representa mulheres negras que chegaram até aqui. Ela é exemplo para muitas mulheres e jovens negras dentro de uma sociedade racista e machista. Portanto, esse reconhecimento vai além da Mônica, porque ela carregará esta medalha não só por ela, mas pela população negra”. Luciana Boiteux ressaltou os motivos pelos quais a secretária-adjunta da OABRJ foi escolhida pela Câmara dos Vereadores para receber a medalha. “Sinto-me honrada em poder homenagear Mônica Alexandre Santos, mulher que galgou espaços importantes nas lutas raciais e de gênero. Esta outorga é um reconhecimento por sua atuação, que conseguiu abrir caminhos para outros negros”, disse. “Mônica merece ser celebrada não só pela defesa dos trabalhadores, mas, também, por ter oportunizado uma reparação histórica à comunidade negra. Ela expôs as dificuldades que as mulheres negras enfrentam diariamente, especialmente na advocacia, e atua pelo desenvolvimento de uma estrutura jurídica mais inclusiva e social”. Formaram a mesa da solenidade a presidente da Academia Carioca de Direito, ex-presidente do Instituto dos Advogados Brasileiros e conselheira federal eleita para a próxima gestão da OABRJ, Rita Cortez, e a advogada e assessora jurídica da Comissão de Direitos Humanos da Alerj Elaine Barbosa. A advogada centenária e ativista de movimentos sociais, raciais e de gênero Maria Soares, também conhecida como Dona Santinha, representou a ancestralidade de Mônica no evento. A homenagem contou com a participação de representantes da Seccional, como o secretário-geral, Marcos Luiz Souza; os subcorregedores da OABRJ Mario Leopoldo e Max Mendonça, o presidente do Tribunal de Ética e Disciplina, Jonas Gondim; o diretor do Centro de Documentação e Pesquisa, Aderson Bussinger; e o presidente da OAB/Piraí, Luiz Augusto Guimarães. Também prestigiaram o evento o presidente da comissão da OABRJ de Direitos Humanos e Assistência Judiciária, José Agripino, e da de Direito Sindical, Márcio Lopes Cordeiro; a presidente da Comissão de Mentoria Jurídica, Thais Fontes, e da de Justiça Federal, Alessandra Lamha. O vice-presidente das comissões de Defesa do Consumidor e Direitos dos Autistas e seus Familiares da Seccional, Carlos Alberto Sobral Pinto, também esteve presente.