Uma feliz coincidência marcou o último 28 de junho para a conselheira seccional Raquel Castro, presidente da Comissão Especial da Diversidade Sexual e de Gênero da OAB Nacional. O dia designado para as pessoas de 44 anos se vacinarem contra a Covid em Niterói, onde mora, caiu exatamente no Dia do Orgulho LGBTQIA+. 

“Foi extremamente simbólico; um marco de dupla resistência e de afirmação de vida. Nem dormi na véspera, cheguei ao posto uma hora antes de abrir”, diz ela, que tomou a primeira dose da Pfizer.

Castro endossa agora a campanha “Vacina é direito”, iniciativa da OABRJ (por meio do Observatório da Covid-19) e da Caarj que busca conscientizar a advocacia sobre a importância da imunização como forma de deter a pandemia, assim que o Plano Nacional de Imunizações permitir. 

O Direito LGBTQIA+ é a base da carreira da advogada, que se formou e se pós-graduou na UFF e está em atuação há 21 anos. Foi Castro quem fundou a primeira comissão de diversidade sexual e de gênero da OABRJ, em 2010. Seu mandato como primeira presidente do grupo durou oito anos. 

Ela conta que se sente privilegiada em meio à tragédia. Perdeu conhecidos, mas seu círculo familiar conseguiu se preservar. A digitalização da advocacia até facilitou o ritmo de trabalho. 

“Consegui me adaptar totalmente ao mundo digital tanto que seguirei em home office, já que não faz mais sentido perder horas me deslocando. Claro que há o cansaço. Não é trabalhar de casa, é dormir no trabalho”, brinca. 

“Hoje, por exemplo, fui me vacinar e, em 20 minutos, estava online no evento da Seccional ‘Stonewall carioca’. Em outros tempos, eu teria que escolher uma ou outra atividade", conta. 

"A digitalização exige uma mudança de cultura, não é fácil para alguns só despachar pelo Balcão Vitual, por exemplo, ou reunir-se por videoconferência. Mas por causa da tramitação totalmente eletrônica, a pandemia pode deixar de legado uma prestação jurisdicional mais ágil”. 

Para a advogada, a defesa da vacinação encaixa-se na missão da Ordem de defender os direitos humanos. 

“O que está em jogo é o direito à vida, o direito à dignidade da pessoa humana. Estamos vendo um descontrole absoluto do governo em relação à pandemia".