Representantes da OABRJ participaram na manhã desta segunda-feira, dia 15, de reunião no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) com a Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Coem). Em pauta, a criação de um novo juizado de violência doméstica em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio. O encontro teve por objetivo apresentar à Coem um dossiê, preparado pela Ouvidoria da Mulher da OAB/Santa Cruz, com dados que reforçam a urgência da instalação de uma unidade em Santa Cruz, que ocupa a segunda posição entre os bairros com maiores índices de violência doméstica e familiar contra a mulher em todo o estado. Atualmente, as vítimas precisam se deslocar até os juizados de Campo Grande ou Bangu, em trajetos que envolvem até três meios de transporte público. Participaram da reunião a presidente da Comissão de Celeridade Processual da OABRJ, Carolina Miraglia – representando a presidente da Seccional, Ana Tereza Basilio –; a presidente da OAB/Santa Cruz, Fernanda Thiessen; a ouvidora da Mulher da OAB/Santa Cruz, Juliana Brollo; a desembargadora Adriana Mello, a coordenadora da Coem, Jaqueline Campos; e a assistente social Patrícia Leal. “A população de Santa Cruz enfrenta índices alarmantes de violência e, sem uma estrutura própria, precisa se deslocar até Campo Grande ou Bangu para buscar atendimento, percorrendo cerca de 30 km em condições muitas vezes precárias. A desembargadora demonstrou grande sensibilidade ao tema e abriu caminho para que possamos avançar nessa demanda”, disse Miraglia. Articulação interinstitucional Para Fernanda Thiessen, a criação do juizado é um passo essencial para garantir a correta prestação jurisdicional às mulheres de Santa Cruz e das regiões vizinhas. “Precisamos de uma estrutura adequada para que essas vítimas tenham acesso célere e digno à Justiça. A desembargadora recebeu nosso pleito com muita sensibilidade e tenho certeza de que avançaremos nessa conquista tão necessária para a advocacia e para a sociedade”, destacou. A desembargadora Adriana Mello reconheceu a gravidade da situação em Santa Cruz e afirmou que a região demanda atenção especial. Segundo ela, a atual gestão do TJRJ conta com uma equipe mais estruturada para encaminhar esse tipo de pleito e irá iniciar um levantamento detalhado de dados – como volume de processos, indicadores de saúde, registros de segurança pública e informações educacionais – para embasar a criação do novo juizado. Para maior eficiência, o grupo sugeriu a articulação com diferentes órgãos públicos, como a Polícia Civil, a Secretaria da Mulher, a Polícia Militar e a Secretaria de Saúde, para que Santa Cruz conte com um serviço de atendimento completo e integrado às vítimas. Durante a reunião, a OABRJ também propôs campanhas educativas em conjunto com instituições públicas, voltadas à conscientização e prevenção da violência contra mulheres e meninas. Ao final, a desembargadora ressaltou que o pleito é legítimo e necessário, assegurando que o tribunal vai fazer a sua parte para fazer o projeto avançar: “O juizado é fundamental e vamos trabalhar para viabilizá-lo em Santa Cruz”, afirmou Adriana Mello.