16/06/2025 - 17:45 | última atualização em 17/06/2025 - 12:41

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OABRJ lança pesquisa inédita sobre violência contra advogadas

Divulgado na cerimônia de posse da Ouvidoria da Mulher, o levantamento é pioneiro no país e vai orientar a formulação de políticas públicas de acolhimento às vítimas

Ana Júlia Brandão




Por meio da Ouvidoria da Mulher, a OABRJ acaba de lançar uma iniciativa pioneira para mapear a violência sofrida por mulheres advogadas, tanto no ambiente familiar quanto no exercício profissional. A campanha "Ser advogada não me salva" visa dar destaque a essa pauta historicamente invisibilizada e fortalecer mecanismos de acolhimento e suporte às vítimas – representando um marco no enfrentamento ao machismo e à misoginia na advocacia.

O levantamento vai ser realizado por meio de uma pesquisa direcionada a todas as advogadas inscritas na Ordem que atuam no Estado do Rio de Janeiro. A Seccional fluminense é a primeira do país a estruturar esse tipo de pesquisa, reforçando seu compromisso com a equidade de gênero e o combate à violência contra mulheres. 

Protegidas por sigilo absoluto, as respostas ao questionário vão permitir à Ouvidoria da Mulher compreender a realidade das advogadas que enfrentam violência – seja física, psicológica, moral ou patrimonial – em diversos contextos: desde os espaços privados até ambientes profissionais como fóruns, delegacias, escritórios de advocacia, documentos processuais e até mesmo no ambiente virtual. 

Clique aqui e acesse o questionário

“A Ouvidoria é a ligação da OABRJ com os problemas que a sociedade enfrenta e, neste caso, com as questões que atingem as mulheres. É a partir do recebimento dessas informações que nós podemos cobrar soluções efetivas perante os órgãos competentes. Nosso estado, infelizmente, ainda é o segundo colocado do país em violência contra a mulher. Precisamos obter prioridade de políticas públicas contra essa chaga que é a violência contra a mulher”, afirmou a presidente da OABRJ, Ana Tereza Basilio.

Segundo a ouvidora Andréa Tinoco, o levantamento busca não apenas dimensionar o problema com precisão, mas, principalmente, criar subsídios para políticas públicas mais eficazes de proteção às advogadas. 

“Muitas mulheres na advocacia enfrentam agressões sem o devido reconhecimento. Com esse questionário, queremos transformar essa realidade, oferecer suporte efetivo e garantir um ambiente mais seguro e respeitoso para todas”, declarou.


Entenda como funciona


Todas as advogadas do Rio de Janeiro podem participar da pesquisa, independentemente de terem sido vítimas ou não. Caso a participante nunca tenha sofrido violência, o questionário será encerrado automaticamente após as primeiras respostas. As informações coletadas serão utilizadas exclusivamente para embasar ações institucionais e melhorar os mecanismos de suporte dentro e fora da Ordem.

A Ouvidoria da Mulher da OABRJ reforça a importância da ampla participação para que os resultados do levantamento possam gerar mudanças concretas. 

“Contamos com a adesão das advogadas fluminenses para que, juntas, possamos enfrentar essa realidade e garantir que nenhuma mulher na advocacia se sinta desamparada”, concluiu Tinoco, convocando todas as inscritas na Ordem a contribuírem com a pesquisa.


Posse da Ouvidoria da Mulher


O questionário foi apresentado no evento de posse da Ouvidoria da Mulher, que aconteceu nessa segunda-feira, dia 16, na sede da OABRJ. Andréa Tinoco reassumiu os trabalhos do órgão juntamente das ouvidoras-adjuntas Andrea Peres, Any Carolina Garcia Guedes, Daniele Arruda Cordeiro, Flávia Monteiro Barbosa, Isaura Silveira Reche e Maíra Barros.

O encontro foi prestigiado por diversas autoridades e nomes importantes na defesa da pauta feminina. Quem conduziu a cerimônia foi a presidente Ana Tereza Basilio, ao lado de Tinoco. 

“A Ouvidoria é um órgão estratégico em qualquer entidade. É fundamental que tenhamos uma ouvidoria voltada exclusivamente para a mulher. A nossa gestão precisa ser pautada por aquilo que é recebido pela ouvidoria. Nossas políticas, batalhas e pleitos precisam se basear nessas demandas”, reforçou Basilio.

Também participaram da mesa solene a vice-presidente da Caixa de Assistência da Advocacia (Caarj), Mônica Alexandre, a presidente da Comissão OAB Mulher RJ, Luciene Mourão, a desembargadora do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro Adriana Ramos, a delegada de Polícia Civil Juliana Domingues, a ouvidora-geral da Polícia Civil, Tatiana Queiroz, e a ouvidora da Mulher do Ministério Público do Rio de Janeiro, Karina Rachel.

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