27/10/2025 - 16:08 | última atualização em 27/10/2025 - 18:54

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OABRJ lamenta a morte de Sérgio Bermudes, mestre do Direito e referência da advocacia brasileira

Jurista foi homenageado com a Medalha Raymundo Faoro e deixa legado marcante no ensino e na prática da advocacia

Ana Júlia Brandão



Foi com profundo pesar que a OABRJ recebeu a notícia da morte de Sergio Bermudes, um dos maiores nomes da advocacia nacional, aos 78 anos. Bermudes faleceu nesta segunda-feira, dia 27, em decorrência de problemas respiratórios após longa internação. Desde abril de 2020, ele enfrentava complicações provocadas pela covid-19. Em homenagem à sua trajetória e legado, a presidente da Seccional, Ana Tereza Basilio, decretou luto oficial de três dias. 

Com mais de cinco décadas dedicadas à profissão, Bermudes construiu uma das carreiras mais sólidas e respeitadas do país. Fundador do tradicional escritório Sergio Bermudes Advogados, iniciou sua trajetória em 1969, aos 23 anos, e se destacou pela atuação firme nos tribunais e pela atuação em casos de alta complexidade. Atualmente, a banca mantém sedes no Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília e Belo Horizonte, reunindo mais de 130 advogados e consultores, além de cerca de 120 estagiários, reflexo de um trabalho que se tornou escola de formação.

“Hoje toda a advocacia do Rio e do Brasil fica órfã de um dos maiores gênios do Direito nacional. Sérgio Bermudes fez história com sua combativa atuação e cultura inigualável. E inspirou muitos advogados e advogadas. Sempre terá lugar de destaque no panteão de grandes homens que iluminaram gerações”, lamentou Basilio. 

Capixaba de Cachoeiro de Itapemirim (ES), Bermudes foi agraciado pela OABRJ em setembro de 2021 com a Medalha Raymundo Faoro, a mais alta honraria concedida pela Seccional, e tornou-se membro vitalício do Conselho Seccional, em reconhecimento à relevância de sua contribuição à advocacia fluminense e nacional.


Uma trajetória marcada pelo saber jurídico e pela defesa da Justiça

Entre os inúmeros episódios que marcaram sua carreira, destaca-se a atuação na defesa de Clarice Herzog, viúva do jornalista Vladimir Herzog, em ação que resultou no reconhecimento judicial de que o jornalista foi morto sob custódia do Estado durante a ditadura militar, um marco histórico na luta pelos direitos humanos e na consolidação da responsabilidade do Estado brasileiro por violações cometidas no período.

Além de advogar, desde 1970 Sergio Bermudes atuou como docente em instituições de referência, como a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (então Universidade do Estado da Guanabara) e a Faculdade Brasileira de Ciências Jurídicas. Na década de 1980, integrou a comissão responsável pela revisão do Código de Processo Civil, a convite do Governo Federal, reforçando sua influência na modernização da legislação processual brasileira.

Mais do que um advogado de renome, Bermudes foi um intelectual do Direito, que uniu a prática forense à reflexão teórica, ajudando a consolidar o prestígio da advocacia brasileira em nível nacional e internacional.

Até a publicação desta matéria, ainda não haviam sido informados o local e o horário do velório. A OABRJ se solidariza com familiares, amigos e colegas neste momento de luto e recorda, com respeito e admiração, a trajetória de Bermudes, que viveu para o Direito.

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