É com pesar que a OABRJ comunica o falecimento do advogado Fernando Tristão Fernandes, de 94 anos e 62 de advocacia. Tristão faleceu neste sábado, 18, e o velório foi reservado aos familiares.

"Seguirá sendo um modelo para a advocacia e para sua família, a quem deixo meu mais sincero abraço, em especial ao meu amigo Fernando Fernandes, advogado criminalista e filho de Tristão", referendou com extremo pesar o presidente da OABRJ, Luciano Bandeira.

Em 2018, o advogado foi agraciado com a Medalha Sobral Pinto, comenda de agradecimento da Seccional aos colegas com mais de 50 anos de profissão. Em seu discurso, ele lembrou da essência do seu trabalho:

"E apelo em defesa do povo brasileiro a todos aqui presentes que estejamos vigilantes para que os nossos habitantes, para que os nossos filhos, netos, tenham colégio, tenham saúde, dignidade e orgulho de ser brasileiro".

Formado em 1958 pela Universidade Federal do Paraná, Tristão atuou ativamente na defesa de perseguidos pela Ditadura Militar (1964-1985) sendo ele mesmo vítima de um atentado a bala do regime autoritário.

Leia abaixo a nota emitida pela família:

          "Nesta data, 18 de setembro de 2021, comunicamos a todos que a luz do nosso fundador e mestre Fernando Tristão Fernandes virou uma estrela na história. Foram 94 anos vividos, sendo 62 anos como advogado. A sua história foi, no mínimo, espetacular. De bancário, a sindicalista, passando por universitário, militante, perseguido político, vítima de um atentado a bala desferido pelas forças antidemocráticas, conhecedor extremo do Direito, marido e pai de quatro filhos.

A jornada de Fernando Tristão Fernandes teve início em 3 de setembro de 1927, na então pequena Linhares, no Espírito Santo. Na sequência, viveu em Minas Gerais, onde se casou com Zulka Fernandes em 1950. Juntos, foram para Bahia, Paraná, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro e São Paulo, numa jornada recheada de histórias mirabolantes e encantadoras.

Apenas na advocacia foram mais de seis décadas de trabalhos contínuos, sem perder os seus ideais, de um país mais justo e uma advocacia focada na liberdade e na Justiça, sempre pautada pela Constituição Federal. Tristão, com o seu humor, iluminava os nossos escritórios, advogados, clientes, profissionais do direito e, acima de tudo, nossas vidas com a sua sabedoria, de um homem que parecia que havia nascido ontem.

Formado em 1958, na Universidade Federal do Paraná, conquistou a sua inscrição na Ordem em 7 de abril de 1960. Em 2018, recebeu da OAB do Rio de Janeiro, a Medalha de Sobral Pinto, uma homenagem aos advogados que exercem a profissão por mais de 50 anos. Em seu discurso, lembrou um pouco da essência do seu trabalho: 'E apelo em defesa do povo brasileiro a todos aqui presentes que estejamos vigilantes nessa defesa para que os nossos habitantes, para que os nossos filhos, netos, tenham colégio, tenham saúde, dignidade e orgulho de ser brasileiro'.

Essa combatividade permeou a sua longa e brilhante vida, ao enfrentar os desmandos, as arbitrariedades, as injustiças e as adversidades, como por exemplo, ao lutar pela volta da democracia em nosso país durante a ditadura militar (1964-1985). Tristão deixou o seu legado como referência absoluta para os filhos, netos advogados e juristas.

Tristão no alto de sua sabedoria fez uma despedida da família e em um discurso proferiu suas últimas palavras: 'Eu reúno a minha família. Essa é a minha família. Eu o pai dos advogados, que sustentei na escola e dei uma educação profissional de alto gabarito. E criei uma família magistral. Então, talvez seja a última vez que nos reunimos dessa maneira. Porque estou com 94 anos. Então, quero que vocês guardem a minha lembrança. A lembrança da minha querida mulher e esposa, mãe de vários de vocês. Espero que vocês sigam o exemplo porque sem família não se pode viver' Paraty/RJ, Janeiro de 2021.

Tristão partiu sereno após uma jornada épica e vencedora. A cerimônia será reservada a família que agradece as preces".