Mais de 300 participações de mulheres privadas de liberdade em rodas de leitura marcam a atuação da OABRJ, por meio da Diretoria de Mulheres Advogadas, no Projeto Inspirar. Voltado à reinserção social e à humanização do cumprimento de penas no sistema prisional feminino, o programa é executado desde 2024 no Instituto Penal Talavera Bruce, no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu. A iniciativa é uma parceria da Seccional com a Secretaria de Estado de Polícia Penal (SEPP), com a Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Coem), do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, e com a Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro. São, porém, as advogadas as verdadeiras protagonistas da ação. Duas vezes por mês, 34 voluntárias da OABRJ, entre profissionais e estudantes de Direito, realizam rodas de leitura com as internas de todas as alas do Talavera Bruce. Amparado na Resolução nº 391/2021 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o projeto tem como eixo central a remição de pena por meio da leitura e da escrita, promovendo o acesso à literatura como ferramenta de transformação social. A primeira roda de leitura foi realizada em maio de 2024, baseada na obra “Solitária”, de Eliana Alves Cruz. Desde então, a iniciativa tem sido desenvolvida em ciclos estruturados, com atividades de leitura, debate e produção das fichas avaliativas incluídas nos encontros. Os números demonstram o crescimento do alcance da iniciativa. Em 2024, foram registradas 160 participações de internas nos primeiros encontros – realizados nas diferentes alas da unidade prisional – e 98 nos segundos encontros. Em 2025, houve 160 participações nos primeiros encontros e 148 nos segundos, demonstrando maior adesão e permanência ao longo dos ciclos. Somente nos quatro primeiros meses deste ano, o projeto já contabiliza a participação de 63 internas. Participação da OABRJ A atuação da Seccional é essencial para a efetivação da iniciativa. São as voluntárias da Seccional as responsáveis pela condução das atividades, orientação das participantes e avaliação das fichas de leitura – etapa fundamental para o reconhecimento da remição. “É muito importante que a OABRJ esteja presente nesses espaços. As advogadas e estagiárias voluntárias têm sido as fundamentais nesse projeto, porque nós é que fazemos todo o trabalho de orientação e acompanhamento da leitura”, destaca a vice-diretora de Mulheres Advogadas, Alessandra Ulrich. Para a secretária-geral da Diretoria e coordenadora da ação, Ananza Figueiredo, além do impacto jurídico, o projeto também tem forte caráter transformador: “Não é apenas sobre remição de pena. O objetivo é inspirar essas mulheres a uma mudança de mentalidade e de vida. A leitura é uma ferramenta para que elas entendam que o cárcere não é definitivo, que há um caminho possível de reinserção na sociedade”. Novas unidades prisionais Com resultados positivos, a iniciativa entra agora em fase de expansão para outras unidades prisionais femininas do estado, como o Instituto Penal Oscar Stevenson e o Instituto Penal Djanira Dolores de Oliveira. “A grande notícia é que o projeto deu tão certo que está sendo ampliado. A advocacia tem protagonismo nessa atuação, com advogadas à frente das atividades dentro do convênio. Quem sabe não vamos conseguir levar essa inspiração a todo o universo carcerário feminino, com políticas e práticas direcionadas a essas mulheres”, ressalta Ulrich.