OAB-Niterói inaugura galeria dos advogados vítimas da violência

 

 

Do Jornal O Fluminense

 

14/10/2007 - Com o objetivo de prestar uma homenagem a treze advogados que perderam suas vidas por causa da violência urbana, a 16ª Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-Niterói) inaugura, nesta terça-feira, dia 16, às 15h, em sua sede, a Galeria dos Advogados 'Vítimas da Violência'.

 

O orador do evento será o jurista Jorge Loretti, ex-presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, cabendo ao professor Paulo José Sally, filho de uma das vítimas, agradecer a lembrança em nome das famílias. "É uma iniciativa da OAB, para resgatar a memória destes profissionais que prestaram relevantes serviços à classe e, no entanto, estavam completamente esquecidos", comentou Antonio José Barbosa da Silva, presidente da OAB-Niterói.

 

A galeria ficará no saguão do 10º andar da sede da entidade, onde já se encontram as galerias dos ex-presidentes da OAB do antigo Estado do Rio e os ex-presidentes da subseção de Niterói.

 

Segundo Antonio José, trata-se de uma demonstração de que a entidade está inteiramente voltada para a classe, sem esquecer o lado social, com a ajuda que presta aos excluídos da sociedade. "Daí a minha idéia de criar essa galeria, com a intenção de lembrar vidas que foram perdidas em pleno exercício da profissão, vítimas de uma violência que a cada dia está mais forte na cidade de Niterói", ressaltou Antonio José.

 

Ainda segundo ele, a homenagem póstuma feita pela nova OAB de Niterói aos advogados que marcaram presença no meio jurídico, com sua atuação profissional, os coloca em um lugar que lhes confere a devida importância. "A galeria contará com o nome dos advogados por ordem alfabética e, após a inauguração, poderá ser visitada de segunda a sexta-feira, das 9h às 20h", informou Antonio José.

 

A cerimônia de inauguração acontecerá no 10o andar da entidade, que fica na Avenida Amaral Peixoto 507, e vai contar com a presença do presidente da OAB do Rio de Janeiro, Wadih Damous.

 

 

Trajetórias que merecem ser lembradas

 

O professor Paulo José Sally, filho de uma das vítimas, agradecerá, em nome das famílias, a homenagem feita pela OAB Niterói. Muito emocionado, Sally disse que se sente honrado por ter sido o escolhido como representante dos familiares das vítimas. Segundo ele, o tempo da morte do pai (há 13 anos) dá à solenidade "um significado grandioso".

 

Os homenageados:

 

Roulien Pinto Camillo - O caso mais recente de advogado morto por causa da violência urbana é o do ex-delegado aposentado Roulien Pinto Camillo, que, no dia 19 de junho deste ano levou cinco tiros à queima-roupa, minutos após retirar R$ 9 mil de uma agência do Unibanco na Estrada Francisco da Cruz Nunes, em Piratininga, Região Oceânica de Niterói. Segundo testemunhas, o advogado, de 72 anos, teria tentado reagir ao assalto. Roulien estava acompanhado de outro advogado, Wilson Louback, de 62 anos, que também foi atingido, mas não morreu. Ex-presidente do Clube Canto do Rio, Roulien nasceu no Fonseca, Zona Norte da cidade, e deixou cinco filhos e uma filha.

 

Paulo Roberto de Araújo Sally - Morto com quatro tiros, aos 45 anos, no dia 23 de março de 1994. Ele seguia pela Estrada Francisco da Cruz Nunes, em Pendotiba, quando seu Monza foi cercado por dois veículos, um deles equipado com giroscópio. Casado e morador de Itaipu, deixou dois filhos maiores. O advogado era filho do ex-deputado José Sally e estava prestes a lançar sua candidatura à Assembléia Lagislativa do Estado.

 

Francisco de Assis Bezerra da Silva - Morreu em 19 de junho de 1997, na época com 65 anos. O crime aconteceu na Rua Saldanha Marinho, no Centro de Niterói, em frente ao número 223. Moradores do local afirmaram terem ouvido três disparos.

 

Joeme Guimarães Barros - Encontrado carbonizado, em 27 de junho de 1998, no porta-malas de um Santana. O advogado, de 63 anos, era ex-diretor e conselheiro do Clube Canto do Rio.

 

André Araújo Brito - Foi assassinado, aos 25 anos, no dia 4 de setembro de 2000, após reagir a um assalto, dentro de um ônibus da Viação Araçatuba, linha 30 (Martins Torres-Centro). O crime foi praticado momentos depois de o advogado ter sacado R$ 1,3 mil de um caixa eletrônico. O assaltante atirou em André e depois fugiu com um comparsa numa moto.

 

Luiz Otávio Amaral - Foi executado dentro do carro, no dia 5 de maio de 2003, após parar no sinal da esquina das ruas Doutor Borman e Moacir Padilha, no Centro de Niterói. Dois homens em uma moto acertaram sete tiros no advogado, que tinha 47 anos.

 

Nélia Lourenço - Morta, aos 40 anos, com 14 tiros, na Rua Ponte Ribeiro, no Bairro de Fátima, em Niterói. O crime aconteceu no dia primeiro de dezembro de 2003.

 

André Peixoto de Siqueira - Encontrado morto, com três tiros à queima-roupa, dentro do carro, na Avenida Eugênio Borges, altura do Rio do Ouro, em São Gonçalo. O crime aconteceu no dia 11 de janeiro de 2004. André tinha, na época, 33 anos. O corpo foi identificado cerca de meia horas depois que o advogado saiu de sua casa, em Itaipuaçu.

 

Jorge de Cosme Silva - Assassinado com seis tiros, aos 63 anos, no dia 5 de fevereiro de 2004. Segundo testemunhas, ele teria sido abordado por dois homens, enquanto jogava videopôquer em um bar dentro da galeria Nossa Senhora da Conceição, na Avenida Amaral Peixoto, no Centro de Niterói. O ex-defensor público também foi escrivão da Polícia Civil nos anos 60.

 

Cátia das Graças Barroso - Morta a tiros na porta de sua casa, em Piratininga, Região Oceânica de Niterói. O crime ocorreu no dia 26 de março de 2004. Na ocasião, Cátia tinha 39 anos.

 

Said Simão - O ex-defensor público foi morto com dois tiros na cabeça por dois homens encapuzados. O assassinato aconteceu em Sambaetiba, Itaboraí, no dia 22 de setembro de 2005. Ele tinha 61 anos.

 

Outros - Também serão homenageados Jamil Pires Mansur e Irinea Sant'Anna de Oliveira, morta em 16 de junho de 1995, aos 51 anos.