MP prepara plano de ação contra a migração de bandidos para o interior Do jornal O Globo21/02/2010 - O Ministério Público estadual vai por em prática, até o fim do primeiro semestre, um plano de ação para abafar a criminalidade na capital e no interior, novo destino de traficantes expulsos das favelas ocupadas pelas Unidades de Polícia Pacificadora (UPP). Carro-chefe do plano, uma força-tarefa passará a auxiliar os promotores de cidades onde foram identificados aumento repentino de crimes violentos ou praticados por quadrilhas organizadas. "Esses marginais não podem achar que, apertando o cerco na capital, eles farão festa no interior. Muitos estão correndo para cidades menores. Vamos expandir o cerco", afirma o procuradorgeral de Justiça do estado, Cláudio Lopes. Para mostrar o avanço da criminalidade, ele cita o exemplo de São João da Barra, onde já trabalhou: "São João da Barra tinha cino mil habitantes em 1988, quando eu trabalhava lá. Hoje tem 25 mil, e estima-se que serão 250 mil daqui a quatro anos, com a inauguração do Porto de Açu. Hoje já tem milícia e tráfico de drogas na região". A interiorização contará com o Núcleo de Combate ao Crime. De acordo com a demanda em cada município, promotores especializados serão enviados para conter o aumento da incidência identificada no local. A força-tarefa trabalhará em conjunto com o promotor-titular da região, com prazos e metas estipulados. Além da entrada em ação desses braços operacionais, o MP entregará aos promotores de municípios periféricos um levantamento de armas e venda de drogas na jurisdição deles. O estudo aponta o crescimento de tráfico em Macaé, para atender ao aumento da população flutuante do município, que concentra a logística de diversas plataformas; incremento de roubo de cargas na Região Serrana (Friburgo, Petrópolis e Teresópolis); e atuação de milícias em Cabo Frio e Araruama, na Região dos Lagos. Os promotores titulares poderão solicitar a presença do grupo especial, desde que constatada a instalação permanente do crime organizado ou quando estiverem diante de um caso complexo. "Teremos grupos próprios para combater lavagem de dinheiro, tráfico e milícias, roubos e crimes fiscais, entre outros tantos. Mas não vamos, por exemplo, enviar a força-tarefa para a Região dos Lagos porque aumentou o número do roubo de carros no verão. Esta incidência é circunstancial, todo ano acontece", explica o subprocurador-geral de Justiça do estado, Carlos Roberto Jatahi.