O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, determinou à Controladoria Geral da União (CGU) que investigue nove contratos firmados entre a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal com duas das empresas cujos representantes foram flagrados pelo "Fantástico", da Rede Globo, negociando o pagamento de propina em troca de recursos públicos. Os contratos, que vigoraram entre 2000 e 2010, totalizam R$2,6 milhões e foram firmados com a Toesa Service Ltda e a Locanty Serviços Ltda. A auditoria foi solicitada ao controlador-geral da União, Jorge Hage, na quarta-feira, e vai analisar pagamentos para prestação de serviços de manutenção preventiva, corretiva, reboque e assistência técnica de veículos. Os contratos também previam serviços de limpeza, conservação e de copeiros. O maior dos nove contratos foi firmado com a Toesa para serviços na Superintendência da PF no Rio, em 2002, totalizando R$650 mil. O menor, de R$14 mil, foi assinado em 2005, também pela Superintendência da PF no Rio, com a Locanty, para coleta de lixo e retirada de entulho. Ministério Público: nove casos tramitam na Justiça Ontem, Paulo Henrique Falcão Breda, presidente da Comissão Especial de Combate à Corrupção e Impunidade da OAB nacional, defendeu que a investigação sobre as empresas flagradas oferecendo propina não se limite aos inquéritos da PF. Segundo ele, as gravações mostram o fio da meada de um problema muito maior: "Eles falam como se a propina fosse uma prática recorrente. Ensinam como fazer para que o gestor público ganhe dinheiro para contratar a empresa. Tem que ser feita uma investigação de todos os contratos firmados por essas empresas com órgãos públicos. Os ministérios públicos e a Polícia Civil também precisam entrar no caso, verificar contrato por contrato. Se virem qualquer inconsistência, precisam saber se foi por equívoco ou dolo, e quebrar o sigilo bancário dos envolvidos. Se uma licitação tem um erro, é preciso saber se o responsável pela compra recebeu um valor suspeito na conta bancária em datas próximas". O Ministério Público estadual informou que já existem investigações sobre contratos das empresas e que tramitam na Justiça pelo menos nove casos. Gerente da Rufolo diz que só falará em juízo Ontem, apenas duas das sete pessoas convocadas pela PF para prestar depoimento sobre o escândalo compareceram à sede do órgão. Uma delas foi Renata Cavas, gerente da Rufolo. Ela chegou de óculos escuros e, apesar do calor, de casaquinho. Renata, que apareceu desinibida e falante na gravação do "Fantástico", explicando que negociar propina é "a ética do mercado", estava mais contida. No lugar das estampas de oncinha e cores berrantes com as quais negociou vantagens ao repórter disfarçado de gestor, optou por um vestido de poá. De cabelos mais escuros, também preferiu se manter em silêncio e afirmou que só falará em juízo. Além de Renata, compareceu à sede da PF ontem à tarde o sócio-diretor da Locanty, João Barreto.