30/04/2025 - 19:40 | última atualização em 06/05/2025 - 12:46

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Milhares de processos congestionam varas de São João de Meriti

Acervo gigantesco e outros problemas foram identificados por diligência da Comissão de Celeridade Processual na comarca da Baixada Fluminense

Mariana Reduzino

Uma comitiva da Comissão de Celeridade Processual (CPP) da OABRJ visitou, na tarde desta quarta-feira, dia 30, a Comarca de São João de Meriti, com o objetivo de identificar as razões da extrema morosidade nos trâmites processuais da 1ª, 2ª e 4ª varas cíveis, bem como da 1ª Vara Criminal do município.

A diligência foi liderada pela presidente da CPP, Carolina Miraglia, acompanhada pelo secretário-geral e pela secretária-adjunta da comissão, Vinicius Barata e Aline Sandes. Também participaram a presidente da OAB/São João de Meriti, Julia Vera Santos, acompanhada pela diretoria da subseção: a vice-presidente Márcia Menezes, o secretário-adjunto Jonas Peixoto, a tesoureira Selma Reis, o presidente da Comissão de Celeridade, Francisco Freitas, e o vice-presidente da Jovem Advocacia de São João de Meriti, Tiago Boa.

Foram identificados problemas graves nas serventias, como a dificuldade no deferimento da gratuidade de justiça, a ausência de juízes titulares e um acervo processual acumulado que ultrapassa 13 mil processos.

“Identificamos os mesmos problemas de sempre: ausência de servidores e falta de juízes titulares, mas conseguimos, também, fazer um importante levantamento dos acervos da comarca. Os números são muito expressivos. Levando em consideração o andamento dos concursos para o Tribunal, entendemos que os servidores do Grupo Emergencial de Auxílio Programado Cartorário (GEAP) e um maior número de estagiários podem contribuir para a redução dos impactos da morosidade”, afirmou Miraglia.

Situação das serventias

A 2ª Vara Cível, por exemplo, opera sem juiz titular e conta com um acervo de 10.500 processos, atendido por apenas três servidores – um deles em regime remoto – e quatro estagiários. O processamento no sistema PJe leva em média 75 dias, enquanto no sistema DCP ainda estão sendo processadas demandas de outubro de 2024. A ausência de mão de obra motivou o pedido de alocação de mais servidores do GEAP.

A 1ª Vara Cível lida com um acervo de cerca de oito mil processos e conta com apenas cinco servidores – dois deles em home office, sendo um com jornada reduzida em 50%. A principal dificuldade está no trâmite processual do sistema PJe, cujo processamento está parado desde janeiro. A chegada de mais servidores do GEAP é considerada essencial.

Outro ponto crítico é a dificuldade recorrente no deferimento da gratuidade de justiça, especialmente na 1ª Vara Cível. Essa situação compromete o acesso à Justiça e prejudica o livre exercício da advocacia. Por outro lado, foram relatados episódios de desrespeito e falta de empatia por parte de alguns advogados e advogadas no trato com os servidores, o que também precisa ser enfrentado.

Para auxiliar na resolução dos 12.700 processos acumulados na 4ª Vara Cível, a Comissão de Celeridade vai solicitar à Corregedoria do Tribunal o envio de, pelo menos, mais um servidor do GEAP para atender às demandas do sistema PJe. Atualmente, a vara opera com apenas quatro servidores e quatro estagiários, enfrentando um atraso superior a 120 dias no processamento dos processos. A necessidade de mais estagiários foi destacada como um pleito urgente.

A situação mais alarmante, no entanto, está na 1ª Vara Criminal. A unidade está sem juiz titular e conta com apenas dois servidores e três estagiários para dar conta de um acervo de quatro mil processos. Com o aumento da criminalidade na região, a demanda tem crescido rapidamente, sem que haja mão de obra suficiente para acompanhar o volume processual. Como solução emergencial, a Comissão levará ao corregedor o pedido de designação de servidores do GEAP com experiência na área criminal, com o intuito de dar maior fluidez aos trâmites.

“Junto à Comissão de Celeridade Processual da Seccional, conseguimos dialogar com os interlocutores dos cartórios e construir uma relação positiva entre as serventias do fórum e a nossa subseção em São João de Meriti”, completou a presidente da OAB local.

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