Em uma sessão solene virtual que reuniu autoridades do mundo jurídico, entre representantes de instituições, advogados renomados, promotores, magistrados, defensores públicos e ministros, o Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB) celebrou na última sexta-feira, dia 7, seus 177 anos. 

Entidade originária da OAB, o instituto foi homenageado em discursos e vídeos produzidos por alguns de seus ex-presidentes – entre eles, Técio Lins e Silva, Maria Adélia Campello Rodrigues Pereira, Ricardo César Pereira Lira, Henrique Cláudio Maués, Fernando Fragoso, Marcello Cerqueira e Celso Soares – e pelos representantes da Ordem, que frisaram o forte legado passado a todo o sistema OAB de defesa intransigente da democracia. 

"O IAB é de onde a OAB saiu, é o que nos constituiu. E as lições que aprendemos do IAB são o nosso guia nessa missão de defender o Estado democrático de Direito, de defender a advocacia no nosso país, a cidadania”, observou o presidente da OABRJ, Luciano Bandeira, ressaltando que o instituto é “fundamental para a cultura jurídica brasileira”. 

Presidente do Conselho Federal, Felipe Santa Cruz falou sobre a parceria entre as duas instituições: “Esse trabalho em conjunto, principalmente nesta época em que vivemos, na qual uma pandemia acelerou o ritmo de transformação não só da advocacia, mas do mundo, tem uma finalidade: defender nossa democracia e lutar incansavelmente pela construção de um modelo novo sim, mas que não signifique uma diminuição do direito de defesa, do contraditório, não signifique um Poder Judiciário apartado da sociedade”. 

Também participando da mesa virtual, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso lembrou os seus tempos de estudante de Direito, na Uerj, ao lado da atual presidente do instituto, Rita Cortez: “Fomos companheiros de luta estudantil”. Segundo ele, “a democracia contemporânea é feita de votos, direitos e razões, sendo necessário combater a pobreza que foi escancarada pela pandemia, o que deve ser uma agenda de todas as instituições”.  

Já a ministra do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Maria Cristina Peduzzi, se disse honrada em participar do evento e classificou o IAB como “a instituição que sempre reuniu os grandes juristas do País”. 

Rita Cortez iniciou sua fala trazendo marcos do mês de agosto, no qual se comemora o Dia da Advocacia. Entre eles, a explosão das bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki, em 6 de agosto de 1945. “Não cito este marco por acaso, mas sim para lembrarmos que hoje estamos chegando ao número de cem mil mortos pela Covid-19 no nosso país, uma tragédia monumental tal como essas bombas”, observou, homenageando os sócios do IAB que a advocacia perdeu nos últimos meses para o coronavírus. 

“A advocacia tem o dever de resguardar marcos civilizatórios e o IAB continuará defendendo sobretudo a vida como um direito universal da atualidade", frisou. “Só com liberdade, trabalho decente, progresso econômico, educação e cultura como saídas nós superaremos essa profunda crise econômica, social e política que agrava mais ainda nossa desigualdade social. O IAB pede que todos nós, operadores do Direito, encarem o que estamos passando com um olhar mais humano”.

Participaram também, entre outros, o ex-presidente do STF Sepúlveda Pertence; o orador oficial do IAB, José Roberto Batochio; o vice-procurador-geral do Ministério Público do Trabalho do Rio, Fabio Goulart Villela; o presidente da OABAP, Auriney Uchôa de Brito; os ministros Sebastião Reis (STJ), Benedito Gonçalves (STJ), José Barroso Filho (STM), Aloysio Corrêa da Veiga (TST) e Delaíde Arantes (TST); os desembargadores Cláudio Luís Dell'Orto (TJRJ), André Fontes (TRF2), Sergio Torres (TRT6) e Mery Bucker Caminha (TRT/RJ); os juízes Eduardo André Brandão de Brito Fernandes, Felipe Carvalho Gonçalves da Silva, Otávio Amaral Calvet e Claudia Marcia de Carvalho Soares,  e o procurador-geral do Município do Rio de Janeiro, Marcelo Silva Moreira Marques.