31/03/2014 - 18:31 | última atualização em 02/04/2014 - 14:57

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Homenagem a dona Lyda e pedidos por mais informações sobre ditadura

redação da Tribuna do Advogado

Lembrar para que a verdade venha à tona. A um dia de se completarem os 50 anos do golpe militar que implantou por 21 anos uma ditadura no Brasil, a principal reivindicação dos presentes durante a inauguração da primeira placa do projeto Circuito da Liberdade foi a contribuição do Estado brasileiro com informações sobre o período. A placa foi instalada na fachada do prédio da Caarj, antiga sede do Conselho Federal, nesta segunda-feira, dia 31, para homenagear Lyda Monteiro da Silva. Dona Lyda, como era conhecida, morreu em 27 de agosto de 1980 ao abrir uma carta-bomba endereçada ao então presidente da entidade, Eduardo Seabra Fagundes.
 
O silêncio do Ministério da Defesa e das Forças Armadas ultrapassa o limite do corporativismo e já está se tornando um silêncio de cumplicidade
Luis Felippe Monteiro
filho de dona Lyda
 
 
Presidente da Comissão Estadual da Verdade e da Comissão de Direitos Humanos da OAB Federal, Wadih Damous afirmou que está lançando uma campanha nacional, juntamente a outros advogados, pela cobrança de informações por parte do Estado brasileiro: "Debateremos medidas judiciais no sentido de compelir as autoridades a prestar essas informações à sociedade. É uma maldade que os familiares de tantos desaparecidos não saibam ainda o que aconteceu com seus entes queridos. E não podemos aceitar que a democracia seja cúmplice dessa maldade".
 
O projeto, do instituto Rio Patrimônio da Humanidade, marca um roteiro de lugares reconhecidamente importantes para a identidade e memória carioca no âmbito da luta pela democracia e pela liberdade no contexto do regime de opressão. Além dessa, mais seis placas farão, inicialmente, parte do Circuito, que também lembrará ocasiões como o comício realizado pelo presidente João Goulart na Central do Brasil, que antecedeu o golpe, e o grande comício das Diretas Já, que mobilizou um milhão de pessoas por eleições presidenciais.
 
"As memórias mais doídas são aquelas que precisamos reverenciar. E a partir dessas sete placas iniciais, queremos não só prestar uma homenagem à luta pela liberdade, mas também oferecer a população, oferecer aos cariocas conhecimento sobre a nossa história. E nada mais justo do que lançar o Circuito com essa memória à dona Lyda, vitimada em um ato duríssimo de violência contra a pessoa humana", declarou o presidente do instituto, Washington Fajardo.
 
Filho de dona Lyda, o advogado Luis Felippe Monteiro cobrou a colaboração das Forças Armadas com informações que possam levar à autoria do atentado. "O silêncio do Ministério da Defesa e das Forças Armadas ultrapassa o limite do corporativismo e já está se tornando um silêncio de cumplicidade. Meu apelo é que a verdade seja mostrada para que nos ajudem a descobrir quem matou a minha mãe".
 
A realização da cerimônia teve colaboração da Comissão de Direitos Humanos da OAB/RJ, representada na ocasião pelos membros Aderson Bussinger e André Barros. Também estiveram presentes os tesoureiros da Seccional e da Caarj, Luciano Bandeira e Renan Aguiar, respectivamente.
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