Furtados, papéis da Caarj viram sucata

 

 

Do Jornal do Brasil

 

16/10/07 - Vinte toneladas de documentos da Caixa de Assistência dos Advogados do Rio (Caarj), prestes a passar por auditoria, viraram sucata. Seis mil caixas com recibos de contas médicas de 2003 a março deste ano desapareceram do galpão do órgão no Jardim América. O conteúdo encheu cinco caçambas de entulho junto com um computador, impressora, aparelho de fax e televisão na manhã do dia 17 do mês passado. A polícia já sabe que o vigia Júlio Silva dos Santos, 19 anos, tem envolvimento no caso e que recebeu cerca de R$ 6 mil pelo material. Mas ainda não descobriu se há cúmplices.

 

O assunto foi manchete do jornal interno da Caarj, fundo dos advogados que também fornece plano de saúde. Ano passado, a Caixa passou por disputas políticos ligadas à sucessão na Ordem dos Advogados do Brasil do Rio. Wadih Damous, da oposição, venceu a candidata apoiada por Octávio Gomes, ex-presidente. Assim que assumiu, Wadih e o novo presidente da Caarj, Duval Vianna, determinaram uma auditoria contábil. Encontraram, segundo Wadih, um rombo milionário.

 

A nova perícia iria investigar se as milhares de notas fiscais de serviços médicos eram verdadeiras e se os preços pagos pelos exames estavam dentro do valor de mercado.

 

Os papéis seriam transportados em breve do Jardim América para outro galpão, perto do Centro. Lá, seria feita a avaliação dos auditores contratados pela Caarj para descobrir se houve irregularidades. "São documentos como notas fiscais, de despesas com prestação de serviços médicos", diz o presidente da OAB do Rio, Wadih Damous, que ataca os adversários. "Fizemos uma auditoria contábil nos anos anteriores e constatamos um rombo de R$ 60 milhões. Uma administração que deixa um déficit desse tamanho não pode ter sido boa."

 

A nova investigação seria feita no plano de saúde. A Caixa movimenta milhões de reais por ano. De toda a anuidade arrecadada pela OAB, 27% vai para o fundo, responsável até por ajuda financeira a conveniados em dificuldades. Cada um dos 110 mil advogados da OAB do Rio deveria pagar anuidade de R$ 430 à Ordem. Mas há inadimplência de aproximadamente 10% dos advogados. "Foi prejuízo moral. A Caarj ficou impossibilitada de aferir a regularidade das notas", lamenta Wadih.