A diretora de Mulheres da OABRJ e vice-presidente da Caarj, Marisa Gaudio, é mais uma liderança da Seccional a engrossar o coro dos colegas vacinados que exaltam a ciência como única forma de colocar fim à pandemia. É este o mote da campanha “Vacina é direito”, iniciativa da OABRJ (por meio do Observatório Covid-19) e da Caixa de Assistência, que incentiva, portanto, a advocacia a se imunizar contra a covid assim que o Plano Nacional de Imunizações permitir.  

Aos 47 anos, a advogada tomou recentemente a primeira dose da vacina Oxford/AstraZeneca. Vestiu-se com pompa para a ocasião: “Estava tão feliz e emocionada por ter sobrevivido até aqui que fiz questão de usar roupa de cor alegre e sapato especial. Pedi a Rebeca Servaes, presidente da OAB Mulher, que viesse junto para registrar o momento”.

Marisa conta que contraiu covid no final do ano passado, assim como seu irmão e outros parentes. Tiveram sintomas leves, mas ela conta que um grande amigo e colega de profissão amargou 60 dias numa unidade de terapia intensiva e quando saiu, precisou reaprender a caminhar.

“Vivi e estou vivendo ainda uma tensão muito grande. Tememos por nós e pelos entes queridos. Senti muita falta de encontrar a família, os colegas do escritório e da Ordem”.

Durante este tempo, a Diretoria de Mulheres e a OAB Mulher realizaram dois encontros da mulher advogada virtuais para reunir, ao menos através da tela, aquelas que precisavam de força para seguir na militância. 

“Muitas mulheres advogadas me ligaram se sentindo tristes e deprimidas. Também passei por momentos de baixa, sofria com o impedimento de estar fisicamente com as colegas. Conseguimos nos fortalecer através da pauta que nos une. A pandemia mostrou a importância de cultivar nossa rede de apoio”.

Ao atuar na linha de frente da Caarj, onde chegam os pedidos de amparo dos colegas mais vulneráveis, Marisa constatou o tamanho do baque que a advocacia, principalmente a do interior do estado, e os audiencistas sofreram. Foram centenas de cestas básicas distribuídas e também demonstrações reconfortantes de solidariedade.

Advogada familiarista e mediadora de conflitos, Marisa graduou-se pela PUC-RJ e é pós-graduada em Direito Civil e em mediação com ênfase em Família. É professora da ESA da OABRJ e da Unifeso (Centro Universitário Serra dos Órfãos) e ocupa também o posto de secretária-adjunta da Comissão Nacional da Mulher Advogada da OAB Nacional e superintendente de Políticas para a Pessoa Idosa do Estado do Rio de Janeiro. Ela aposta que o momento seguinte à fase mais aguda da crise da covid trará oportunidades à advocacia. 

“Muita gente precisou e vai continuar a precisar da advocacia. Na minha área, a de Família, conduzimos muitos novos acordos de convivência e de revisão de alimentos, por exemplo. Nunca faltará trabalho e a pandemia mostrou que se pode advogar de casa e até mesmo fazer sustentação oral perante os tribunais superiores em Brasília sem precisar gastar com o deslocamento, o que favorece o advogado mais modesto”.