O crescimento da região da Barra da Tijuca foi abordado em duas reuniões realizadas na região na última semana: o VIII Fórum do Meio Ambiente, promovido pela Associação Comercial e Industrial da Região Transoeste (Acir Transoeste), e a palestra do secretário estadual de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, ocorrida na Câmara Comunitária da Barra (CCBT). Seja pela expansão das favelas, seja pelo lançamento de novos condomínios, o futuro da região traz inquietação. "Eu me preocupo com o crescimento desordenado da Barra. Não apenas o das favelas, mas também o dos condomínios. São muitos lançamentos, e precisamos saber até que ponto o bairro os suporta. Da mesma forma que a rede de abastecimento precisa crescer, o policiamento precisa acompanhar este ritmo', declarou Beltrame. Segundo o secretário, é necessária uma análise criteriosa do impacto da construção de novos apartamentos na infraestrutura existente e também no policiamento. Beltrame frisou que, quando os serviços básicos chegam depois dos moradores, a sociedade paga o preço. "Outros agentes sempre ocupam os espaços onde o Estado não está presente. Por isso, hoje, o Rio de Janeiro é uma cidade com ilhas de ausência do Estado, e por isso estamos lutando pela retomada desses espaços", finalizou, referindo- se ao trabalho de pacificação de favelas. No fórum da Acir, a preocupação foi com o crescimento das favelas da Zona Oeste. Nas mesas de discussão, a constatação de que o trabalho atualmente desenvolvido pelo Estado não é capaz de estancar a expansão das comunidades. Para o presidente da associação, Alfredo Lopes, nem mesmo as obras do PAC na Rocinha impediram a construção de novas casas na comunidade. "São vários os sintomas do crescimento das favelas, principalmente as queimadas no alto dos morros, como as registradas recentemente na Rocinha, a fim de limpar terrenos para a construção de casas", afirma. Além da Rocinha, observa Lopes, crescem o Terreirão, no Recreio, e a Vila Cascatinha, situada em Vargem Grande. "Estas comunidades se expandem em grande velocidade. Mas também estão ameaçados, a longo prazo, o Maciço da Pedra Branca, que sofre desmatamento, e Grumari, que ainda não se favelizou tanto porque não conta com sistema de transporte", diz Lopes.