Na manhã desta sexta-feira, dia 1º, a Comissão de Direitos Humanos e Assistência Judiciária (CDHAJ) da OABRJ recebeu o escultor candomblecista João Carlos do Carmo Júnior, que relatou ter sofrido intolerância religiosa no condomínio onde mora, em Madureira, na Zona Norte do Rio. O atendimento foi conduzido pelos representantes da CHDAJ: o procurador-geral, Paulo Henrique Lima; a advogada Flávia Carneiro; e a estagiária de Direito Kayla Souza. Acompanharam a reunião o presidente do Conselho Estadual dos Direitos do Negro (Cedine), Luiz Eduardo Negrogun; e o assessor especial da vice-presidência do Conselho Seccional e consultor da Comissão Nacional de Direito Administrativo da OAB Nacional, Carlos Augusto Ávila. Escultor de peças religiosas, Carmo Júnior contou que mudou-se recentemente para o condomínio e teve a porta do apartamento danificada com escritas ofensivas e ameaças de cunho religioso. Lima afirmou que a comissão acompanhará os desdobramentos das investigações da Polícia Civil e que continuará a combater qualquer tipo de discriminação. “O racismo no Brasil se concretiza de forma sofisticada, manifestando-se não só pela cor da pele e outros fenótipos biológicos, mas, também, através de marcadores socioculturais. Este caso nos permite observar que, embora a vítima seja uma pessoa branca, ao ser reconhecida como devota de uma religião negra, sofre efeitos colaterais do racismo”, explicou o procurador-geral da CDHAJ. “Por isso, o combate ao racismo revela-se como um ponto de partida para a defesa dos direitos humanos de toda a sociedade. Em outros termos, entendemos que quando a sociedade combate o racismo e respeita todas crenças, consequentemente, beneficia todas as camadas da população”. Para Ávila, a intolerância praticada contra pessoas que se dedicam às religiões de matriz africana demonstra um comportamento enraizado socialmente. “Infelizmente, em muitos locais, vivenciamos um verdadeiro terrorismo contra as religiões de matriz africana, uma intolerância latente que gera atos discriminatórios e violentos trazendo riscos àqueles que as cultuam. A empatia deve ser algo basilar no tratamento com o outro. Ninguém quer ser tolerado, mas, sim, respeitado e ter sua liberdade e integridade garantida”, comentou o advogado.