Vacinado recentemente contra a Covid-19 com a primeira dose da Oxford/AstraZeneca, o presidente das comissões da Verdade da Escravidão Negra no Brasil do Conselho Federal e da OABRJ e da Comissão de Igualdade Racial do IAB, Humberto Adami, endossa agora a campanha “Vacina é direito”.  

Tomando como base a confiança na ciência como o único meio de pôr fim à pandemia, a iniciativa da Seccional -  por meio do Observatório da Covid-19 - e da Caarj busca incentivar os colegas a se vacinarem contra a Covid assim que o Programa Nacional de Imunizações permitir. 

Formado pela Universidade de Brasília há 41 anos e pós-graduado em Direito das Cidades e Urbanismo pela Uerj, Adami tem 62 anos. Foi titular da Ouvidoria Nacional da Igualdade Racial do governo federal de 2009 a 2011 e advogado do Banco do Brasil nos anos 1990. A militância na Ordem começa em 1991, primeiro como assessor da Presidência da OABRJ e depois como presidente de diversas comissões temáticas no sistema da Ordem. Em 2014, propõe a criação das comissões da Verdade da Escravidão Negra no Conselho Federal e, depois, na OABRJ.  

 Para o advogado, o atraso do início da vacinação e o ritmo lento com que as doses são distribuídas são os culpados pelo prolongamento do pico da crise sanitária e social. 

“Perdi muitos amigos, a tristeza é geral. As páginas do Facebook viraram um obituário permanente. O erro estratégico do governo brasileiro de não apostar na vacina e de negar a realidade científica está tornando tudo mais caro, mais perverso e mais mortal. As populações mais pobres, que são, em grande maioria, a população mais preta, têm pago um preço altíssimo”. 

Adami conta que a Comissão da Verdade da Escravidão Negra da OAB/Angra dos Reis precisou atuar recentemente junto à prefeitura local para viabilizar a vacinação de 240 quilombolas do Quilombo do Bracuí, que estava embaraçada por exigências burocráticas ilegais. 

A advocacia enfrenta um desafio sobre-humano ao ter que cuidar da própria sobrevivência física e fazer frente às necessidades da clientela e dos tribunais enquanto se reinventa para atuar nas ferramentas tecnológicas, observa ele.  

“Muitos escritórios estão paralisados, fechando. A rápida digitalização do Judiciário não vai retroceder após a pandemia. Advogados que não conseguiram se atualizar nesses sistemas mais modernos veem-se em sérios problemas e encontram socorro na Ordem”. 

Há, no entanto, vantagens de romper fronteiras por meio da tela das plataformas de videoconferência:  

“Nas comissões da OAB, estamos conseguindo trabalhar muito mais, interagir constantemente com as comissões da Verdade da Escravidão Negra das subseções sem necessidade de deslocamento. O evento “A importância da reparação da escravidão negra” que promovemos no Conselho Federal teve a participação de uma convidada que falava diretamente da Namíbia”.