09/12/2024 - 17:57 | última atualização em 09/12/2024 - 19:02

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Audiência pública na OABRJ sobre combate ao discurso de ódio online tem presença do youtuber Felipe Neto

Biah Santiago



A OABRJ recebeu, na tarde desta segunda-feira, dia 9, uma audiência pública da qual participou o youtuber, influenciador digital, empresário, ator, escritor e filantropo brasileiro Felipe Neto, que lançou, em setembro deste ano, o livro “Como enfrentar o ódio: a internet e a luta pela democracia” (Editora Companhia das Letras - 1ª edição).

A condução ficou a cargo do presidente da Comissão de Direito Internacional da OABRJ, Carlos Nicodemos, que esteve acompanhado da  presidente do Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH), Marina Dermmam. 

Assista à transmissão no canal da Seccional no YouTube. 


“A ideia é unirmos esforços para levar a agenda de enfrentamento do discurso de ódio no país. Quando vimos a obra do Felipe Neto, que pode ser entendida como um grito de alerta, vimos que vai ao encontro com o que a OABRJ e o Conselho Nacional de Direitos Humanos pregam”, considerou Nicodemos. 



A presidente do CNDH falou dos avanços - e retrocessos - dos direitos humanos no país. 

“Amanhã (terça-feira, dia 10), a Declaração Universal dos Direitos Humanos faz 76 anos. O CNDH não tem o alcance de um influenciador digital, então, ter a voz do Felipe Neto, conhecido nacional e internacionalmente, é importante para endossar a luta por direitos humanos”, avaliou Daermman.

“Felipe se tornou um valoroso militante que sofreu na pele a perseguição, as falsas acusações, o medo de ser preso e as ameaças de morte por grupos que disseminam o ódio. Sua obra é uma ferramenta na luta pela democracia, que reflete a coragem que ele teve de se reconhecer como um dos disseminadores do discurso de ódio no Brasil, tornando-se, depois, um dos fiadores da democracia no país”.

Também compuseram a mesa o interlocutor da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa da OABRJ Babalaô Ivanir dos Santos, a presidente da União Brasileira de Mulheres (UBM), Vanja Andréa dos Santos, o presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Otávio Costa, e o secretário Nacional de Promoção e Defesa do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, Bruno Teixeira. 

Há 14 anos, Felipe Neto é um rosto conhecido do público e da mídia. Nas mais de 370 páginas da obra, ele retrata as formas em que o ódio esteve presente em sua vida pessoal e profissional ao longo dos anos. O youtuber mostra como é possível não só contornar o ódio, mas combatê-lo, usando a comunicação e a consciência política.

Após receber a Resolução nº 8, de 16 de junho de 2023 (que dispõe sobre formas de enfrentamento ao discurso de ódio no Brasil), Felipe Neto narrou como foi o processo de descoberta e estudo para formular o livro.

“Quando comecei a gravar vídeos, nunca imaginei que viraria, de alguma forma, um personagem dentro do cenário político brasileiro. Durante a minha trajetória, ganhei um alcance e visibilidade muito grandes, e isso me angustiava, pois sentia que carregava a responsabilidade de fazer o bem, mas, lá em 2010, quando comecei, tinha pontos de vista e falas reacionárias”, reconheceu Neto.


“Foi um processo longo para que eu aprendesse e vivenciasse tudo isso. Estudei, li, aprendi muito, então, é natural que você se torne uma pessoa, pelo menos, progressista, e abandone visões deturpadas de que pessoas menos favorecidas não devem ter suporte e de que todos têm que lutar com as próprias mãos, mesmo em um mundo capitalista”.



Neto explicou, ainda, que os ataques e palavras hostis direcionados a ele serviram para que entendesse seu papel como influenciador dentro da política. 

“Depois que entendi a dinâmica social, a luta de classes e o sistema em que vivemos, pensei em como consertaria anos de ‘lambanças’ que fiz e falei no decorrer dos anos. Sofri ataques desumanos e cruéis e quando me aprofundei no entendimento sobre direitos humanos, descobri que estava errado a minha vida toda e passei a dedicá-la a reparar o que fiz de errado”.

O secretário Nacional de Promoção e Defesa do Ministério dos Direitos Humanos destacou que o livro faz um registro histórico do momento contemporâneo da democracia.

“O debate é importante para a democracia. O livro registra um momento crucial no Brasil e uma chamada para a juventude entender como funciona o sistema. Este evento discute o que é necessário para conseguirmos enfrentar os discursos de ódio no país”, disse Teixeira.


“As ferramentas e modus operandi hoje viabilizam que essa prática alcance não só um único indivíduo, a tecnologia é usada como uma arma. A partir de um comentário, um vídeo é capaz de ajudar a propagar um ambiente de tortura às pessoas e ao regime democrático”.

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