A favor de um dia sem carros Flávio Ahmed* Pesquisa realizada pela Coppe/UFRJ apontou o transporte rodoviário como responsável por 33% das emissões de gases do efeito estufa no Rio de Janeiro, vilão diante do desafio das mudanças climáticas. O aumento de veículos é causa não só da poluição atmosférica, que compromete o clima, torna as ruas intransitáveis e acarreta males à saúde psíquica e física do cidadão, mas também de mortes por acidentes.Mas como locomover-se sem uma rede pública de transporte eficiente e que atenda, do ponto de vista qualitativo e quantitativo, a população? A campanha mundial por um dia sem carro, iniciada na França em 1998, desperta uma reação imediata de descrença quanto à sua adesão e ao seu propósito.Mas propicia um questionamento no sentido de viabilizar um novo modo de vida, contraposto ao modelo de cidade existente, voltado para o individual, onde a máquina ocupa o lugar das pessoas. Seu ponto positivo traduz-se no despertar de reflexão sobre a cidade que queremos, diante da constatação óbvia de que, nela, o homem deve ocupar seu lugar como cidadão, e não o carro ser o personagem principal. Transformar o ideal da campanha em meta de continuidade exige, todavia, torná-la uma reflexão permanente, traduzi-la em exigências e práticas sociais concretas a fim de rever o modelo hoje vigente, com vistas a um projeto de transporte eficiente e solidário que atenda a toda a população com menor impacto para o meio ambiente. Termino com uma história real: dia 22, um pai levou o filho à escola de bicicleta como exemplo. Nessa escola se ensina respeito ao meio ambiente. Lá, não conseguiu autorização para guardá-las, por falta de local apropriado. Em matéria ambiental, sobra discurso e falta atitude. *Flávio Ahmed é presidente da Comissão de Direito Ambiental da OAB/RJ. Artigo publicado no jornal O Dia, 24 de setembro de 2010