Uma tentativa de manipular a atuação de ferramentas de inteligência artificial dentro de um processo judicial terminou em punição no Pará e acendeu um alerta para toda a advocacia brasileira. O caso, que ganhou repercussão nacional, motivou o primeiro episódio do quadro “Advoga AI”, produzido pela OABRJ para discutir o uso responsável da tecnologia no exercício profissional. A presidente da Comissão de Inteligência Artificial da OABRJ, Graziela Bonfim, explica que o episódio envolveu a prática conhecida como “prompt injection”, em que comandos ocultos são inseridos em documentos para tentar influenciar respostas de sistemas de IA. Segundo Bonfim, ferramentas de inteligência artificial podem auxiliar a advocacia em tarefas do dia a dia, mas o uso da tecnologia precisa estar alinhado aos deveres éticos da profissão. "O problema começa quando a tecnologia é usada para manipular, fraudar ou comprometer a regularidade do processo", alerta. A presidente da comissão reforça que a responsabilidade pelo conteúdo produzido continua sendo do advogado, mesmo quando há utilização de ferramentas automatizadas. "IA não é atalho para burlar o Judiciário", destaca. No episódio, Bonfim também orienta os profissionais a sempre revisarem conteúdos produzidos com apoio tecnológico antes do protocolo de petições ou manifestações processuais. “Usou a IA? Revise. Automatizou? Confira. Gerou petição? Leia tudo antes de protocolar”, recomenda. Fique de olho A proposta do "Advoga AI" é aproximar os profissionais do Direito das transformações tecnológicas que impactam a advocacia, sempre com foco em segurança jurídica, boas práticas e atuação ética. Ao longo da série, a OABRJ vai abordar temas ligados à inteligência artificial, à automação, aos riscos digitais e aos impactos da tecnologia na rotina da advocacia.