O Direito a partir do olhar das mulheres negras foi o norte da palestra realizada pelo Grupo de Trabalho Mulheres Negras da OAB Mulher, criado esse ano pela Seccional. O evento, com o tema Perspectivas negras do Direito, aconteceu na última quarta-feira no Salão Nobre Modesto da Silveira, e teve diferentes pontos de vista apresentados por advogadas negras que atuam em diversas áreas. "Entendemos que a Ordem precisa de interação social. São muitas mulheres negras atuando no Direito, nosso lugar é de mulheres negras com acesso a ensino superior e conhecimento das leis. Não atuamos só contra o racismo, temos colegas que atuam em diversas áreas, trata-se de uma reparação das dificuldades profissionais que temos. O nome do grupo não é advogadas negras porque estamos preocupadas com a opressão das mulheres negras em toda a sociedade", afirmou a coordenadora do GT Mulheres Negras, Marina Marçal, na abertura. Ela foi a mediadora do debate. A presidente da OAB Mulher, Marisa Gaudio, explicou porque a comissão decidiu criar o grupo de trabalho: "Temos muitos temas importantes. É necessário alguém que tenha um olhar diferente para trabalhar determinadas questões. Além disso, o trabalho integrado com as subseções é fundamental, a troca de informações ajuda muito. Nós mulheres precisamos de mais espaço, e ele será conquistado por nós mesmas". A advogada Rhaysa Ruas fez a primeira palestra, sobre Racismo institucional e acesso à Justiça. "Transformar nossos debates públicos em conversa também faz parte do nosso viver, do nosso ser enquanto mulher negra nesses espaços. Quando se pensa em racismo institucional é importante ter em mente o que se entende por racismo, que vai muito além dos atos cotidianos de violências pontuais, do xingamento, da humilhação individual. Infelizmente é muito mais do que isso", argumentou. Em seguida, as advogadas Jéssica Oliveira e Caroline Santos falaram sobre Dano moral com recorte racial e de classe e Estigmatização das favelas, respectivamente, enquanto a juíza Adriana Cruz abordou a temática Mulheres negras no Judiciário.