Com o objetivo de otimizar as estatísticas sobre homicídios no estado, a Comissão de Direitos Humanos e Defesa da Cidadania da Alerj propôs a criação de um Observatório Estadual de Homicídios, grupo que seria responsável por padronizar os registros de mortes no estado. A proposta foi feita à Secretaria de Estado de Segurança Pública na audiência realizada ontem,em que o pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Daniel Cerqueira, apresentou um estudo em que mostra a sub notificação de homicídios nas estatísticas do Sistema Único de Saúde (SUS). "Existe uma falha nos dados da saúde em relação aos dados que são da segurança, o que é muito ruim para se fazer um diagnóstico correto da segurança pública no nosso estado", afirmou o deputado Marcelo Freixo (PSOL), presidente da comissão. Para o pesquisador, apesar de os dados fornecidos pelo Instituto de Segurança Pública (ISP) estarem bem próximos da realidade, é preciso aumentar a integração entre estes dados e os fornecidos pela Secretaria de Estado de Saúde ao SUS, que são os indicadores padrões para a análise de politicas públicas no mundo. "Os dados do ISP podem ser usados, mas se você quiser, por exemplo, comparar impactos de politicas públicas em diferentes estados, é necessário ter os dados da saúde. Este é o único dado que pode ser comparado, e é por isso que relatórios de organizações como a Organização das Nações Unidas (ONU)sempre usam os dados da saúde". Secretário de Estado de Segurança Pública,José Mariano Beltrame ressaltou o bom trabalho que vem sendo realizado pelo ISP, e destacou a queda no índice de homicídios no estado nos últimos anos. "O ISP divulga 39 índices criminais mensalmente. Acho que precisamos de um alinhamento nacional, porque o Rio tem um espelho muito claro dos seus homicídios. Nada contra o banco de dados da saúde, mas ele é formado de forma diferente do nosso". Beltrame explicou que o banco de dados da saúde é alimentado pelos peritos e médicos legistas que examinam os cadáveres, enquanto o ISP forma seus dados a partir dos inquéritos policiais, o que seria a causa da diferença.