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Cláudio Leal de Almeida

15/02/1944 - 29/04/2020

Deixou ações por terminar, uma viagem à Alemanha comprada e 7 mil livros na biblioteca. Foi reitor, seminarista e aluno expulso do São Bento por levar a turma ao enterro de Carmen Miranda

“Se não fosse a Covid-19, o sepultamento do meu pai teria fila. Ele militava na área cível e tinha muitos clientes, era muito querido, divertido. Já estava na terceira geração de uma família de clientes, era patrono da Irmandade da Santa Cruz dos Militares.  

Era o patriarca, o casamento com a minha mãe já tinha ultrapassado a marca dos 50 anos. Fazia questão de reunir a família para o almoço de todos os domingos, religiosamente, assim como os pais dele faziam. Daí ficávamos até o fim da tarde conversando sobre a vida, ele bebericando um whisky. E não faltava história. Ele foi expulso do Colégio São Bento (em 1955) quando gazeteou a aula para ir ao enterro da Carmen Miranda e deu o azar de ser fotografado por um repórter e estampar a edição do jornal do dia seguinte. 

Estudou para ser padre, completou o seminário aos 19 anos e impressionava os professores da faculdade com seu latim. Depois de cursar Direito na UFF, formou-se cientista social pela Uerj. Foi professor universitário nesta área e reitor da Universidade Celso Lisboa. Ele nos deixou uma biblioteca com 7 mil livros. Minha irmã, que é advogada, ficou com os títulos jurídicos e vai conduzir, junto com minha mãe, os processos que ficaram inconclusos. Ele era meu exemplo de vida, falava a todos com orgulho que tinha um filho médico.  

Era muito saudável, não fumava, não tinha doença de base, frequentava a academia todos os dias às 6h da manhã.  Estávamos programando uma viagem à Alemanha no final deste ano com um crédito que ganhei de uma companhia aérea, mas não deu tempo".  

Depoimento do filho, o médico Paulo Cesar David de Almeida, à jornalista Clara Passi