Já imunizada com as duas doses da Coronavac, Margarida Pressburger engrossa agora o coro da campanha da OABRJ (por meio do Observatório da Covid-19) e da Caarj, “Vacina é Direito”. A iniciativa busca conscientizar a advocacia da importância de se vacinar contra a doença quando o Plano Nacional de Imunizações permitir.

Margarida é conselheira seccional, ex-presidente da Comissão de Direitos Humanos e Assistência Judiciária da OABRJ. É a primeira brasileira a integrar o Subcomitê de Prevenção à Tortura e Outros Tratamentos ou Penas Cruéis e Desumanas ou Degradantes em Locais de Privação de Liberdade, do Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU. 

Aos 77 anos de idade e mais de meio século de dedicação à advocacia, é uma das mais longevas e respeitadas advogadas em atividade no país, referência para gerações na área de Direitos Humanos. A parada repentina imposta pela pandemia não impactou tanto o modo de Margarida trabalhar, já que desde 1992 ela adaptou o apartamento para atender a clientela em casa. Mas cobrou um preço emocional alto. 

“Fiquei muito impactada com contatos de advogados jovens se oferecendo para fazer minhas compras de supermercado para ajudar. Isso me entristeceu porque esse jovem advogado, no qual aposto muito, deveria estar se ocupando com um voluntariado ligado à profissão assim que deixa a faculdade, militando no Fórum, na Justiça do Trabalho…”

Margarida se diz “emocionalmente completamente perturbada” diante dos mais de 350 mil mortos pela Covid-19, com picos de quase 4 mil diários, e o ritmo de conta gotas da vacinação.

“Já tomei as duas doses, estou protegida, mas não sei quando meu filho de 41 anos vai tomar.  Fico muito perturbada ao ver nossa juventude indo embora e o Poder Executivo de braços cruzados dizendo que é 'mimimi'. A vacina tem que ser para todos. Não adianta eu estar vacinada, se a caixa do banco ou o rapaz que entrega compras não está; se o transporte público está lotado, se há festas clandestinas”, afirma.


O papel da advocacia se exerce na linha de frente, portanto é preciso que a classe se mobilize para vacinar seus integrantes, defende ela. 

“Como pode atuar com segurança essa multidão de advogados de 20 a 50 anos que ainda não foram vacinados, mas estão com plena vontade de exercer a profissão? Não adianta tomar cloroquina. O que está acontecendo no país é genocídio puro. Não adianta censurar o uso da palavra. São quase 360 mil mortos por omissão”.