10/11/2015 - 11:08

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Comissão da Verdade conclui que CSN colaborou com ditadura militar

jornal O Dia

A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), em Volta Redonda, contribuiu para a política de repressão na ditadura militar, perseguindo e demitindo funcionários por suas convicções ideológicas. E ainda espionou moradores que não tinham ligação direta com a empresa. É o que conclui o relatório da Comissão da Verdade Dom Waldyr Calheiros, com 577 páginas, entregue nesta segunda-feira, dia 9, na Câmara Municipal, à representantes do Centro de Memória da Universidade Federal Fluminense (UFF).
 
O documento sugere que a empresa torne públicas "milhares de páginas de espionagens de cidadãos", da antiga Assessoria de Segurança e Informação (ASI) e do Departamento de Segurança da Usina (DSU), órgãos da CSN ligados, segundo evidências, ao SNI (Serviço Nacional de Informações).
 
A CSN informou que a empresa ainda não teve acesso ao relatório, mas garantiu que "disponibilizou todos os arquivos solicitados".
 
"A CSN, além de demitir 77 sindicalistas que foram presos e torturados, sem que houvesse condenação deles em IPM (Inquérito Policial Militar), também dispensou, por terem participado de manifestações contra o Golpe de 64, outros 113 trabalhadores", revelou Edgard Bedê, historiador e relator, que se debruçou sobre 14 casos de torturas e mortes provocadas pelo então 1º Batalhão de Infantaria Blindado (BIB).
 
O relatório tem ainda outras 20 recomendações, entre elas, que William Fernandes Leite, 22 anos, Valmir Freitas Monteiro, 27, e Carlos Augusto Barroso, 19, assassinados pelo Exército na histórica greve de 1988, sejam incluídos na lista de mortos da ditadura. Emocionados, parentes deles e de outras vítimas, além de sobreviventes das torturas, participaram do ato.
 
"O MPF (Ministério Público Federal) vai analisar o relatório para responsabilizar civil e criminalmente violadores identificados", adiantou o procurador da República, Júlio Araújo Júnior.
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