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30/04/2016 – 18h48 | última atualização em 02/05/2016 – 14h32

Lamachia participa de Colégio de Presidentes da OAB/RJ

Fonte: redação da Tribuna do Advogado
No segundo dia do Colégio de Presidentes de Subseções, realizado em Resende, o destaque foi a presença do presidente do Conselho Federal, Cláudio Lamachia. Ele chegou à cidade do Sul Fluminense na tarde desta sexta-feira, dia 29, e participou do painel Defesa intransigente das prerrogativas dos advogados. "A partir de encontros como este é que encontramos soluções para os principais problemas da advocacia", afirmou. Foi a primeira vez que um presidente do Conselho Federal participou do Colégio de Presidentes da OAB/RJ.
 
Para o presidente da Seccional, Felipe Santa Cruz, a presença de Lamachia traduz a necessidade de união da advocacia e, especificamente, da OAB/RJ. "Fico extremamente honrado com a presença do presidente do Conselho Federal em nosso encontro. Ao viajar para Resende exclusivamente para participar de nossos debates, ele nos prestigia e demonstra a relevância de uma reunião planejada para discutir pontos da maior importância para a advocacia", elogiou.
 
Em sua fala de abertura, Lamachia destacou a importância da atuação da Ordem em momentos políticos delicados como o que o país vive atualmente. "A OAB vem sendo chamada como nunca a participar e temos que cumprir nosso dever. Contudo, devemos ser cuidadosos. A Ordem acerta quando não é governo e nem é oposição, mas quando se posiciona do lado do cidadão. Além das bandeiras corporativas, temos que carregar as bandeiras da sociedade. Quando não fazemos isso, somos cobrados", disse.
 
Ele considera que o país vive "uma crise ética e moral sem precedentes", mas ressaltou que, apesar da crise de representatividade atual, é fundamental que a população interaja com seus representantes eleitos. "Não há democracia sem política e nem política sem políticos. Precisamos que eles façam um novo pacto com a sociedade", declarou.
 
Ao abordar temas corporativos, Lamachia exaltou a participação da Seccional nas conquistas recentes da classe como a inclusão da advocacia no Simples e a possibilidade de formação de sociedades unipessoais. "São vitórias de todos os advogados do país, mas com o DNA do Rio de Janeiro, graças ao incansável trabalho de Felipe Santa Cruz", sublinhou. O novo Código de Processo Civil, em vigor desde março deste ano, também foi abordado. Mudanças como a definição do período de férias para os advogados, entre 20 de dezembro e 20 de janeiro, e a contagem de prazos apenas em dias úteis foram citadas como melhorias para o cotidiano profissional dos colegas.
 
A defesa das prerrogativas, tema principal do debate, foi objeto de amplas considerações por parte de Lamachia, que tem a intenção de lançar uma campanha nacional sobre o assunto. "É fundamental que nossa posição seja intransigente nesse sentido. Além de proteger nossas prerrogativas, temos que promover a valorização profissional da classe. Não podemos mais admitir piadas e insinuações maldosas contra advogados", enfatizou. Para ele, existem muitas pessoas que não têm noção da importância da matéria . "As prerrogativas que constam no Estatuto da Advocacia não são do advogado, mas do cidadão que ele representa", explicou. 
 
Lamachia citou a imposição do processo eletrônico como exemplo de violação contemporânea de prerrogativas por parte dos tribunais. A inexistência de estrutura eficiente de banda larga e as grandes diferenças entre pontos distintos do país bastam, segundo ele, para que o Poder Judiciário reconsidere sua postura. "É inaceitável o que estamos vivendo com o PJe. Se em áreas de grande densidade populacional já ocorrem falhas na internet, é de se imaginar que em pontos mais isolados a situação seja pior", considerou, antes de criticar a postura da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), cujo presidente, João Batista de Rezende, afirmou recentemente que "a era da internet ilimitada está chegando ao fim".
 
Lamachia lembrou que o papel de uma agência reguladora é exatamente o de regular as empresas, defendendo a população contra abusos. "O formato proposto pela Anatel vai prejudicar muito o advogado que é obrigado a utilizar o PJe, mas vai afetar, também, o cidadão. As restrições afetam diretamente a vida profissional e o lazer de todos", concluiu.
 
Diálogo OAB/RJ - TJ
 
A palestra de Lamachia foi acompanhada pelos juízes auxiliares da Corregedoria do TJ João Luiz Ferraz e Aroldo Gonçalves. Eles foram os convidados do segundo painel da tarde, que teve como mote a relação da Seccional com o Tribunal de Justiça (TJ), tratando especificamente de questões relacionadas à primeira instância. Os dois já tinham comparecido às oito reuniões zonais organizadas pela Seccional como preparatórias para o Colégio de Presidentes.
 
"Nossa presença aqui coroa um trabalho iniciado nas zonais, tenho a certeza de que estamos construindo algo muito importante ao fortalecer o diálogo entre o TJ e a OAB/RJ", afirmou Gonçalves. No mesmo sentido, Ferraz destacou a convergência de interesses de advogados e magistrados. "Por mais que em algum momento haja oposição de ideias, o ideal é caminharmos juntos, sempre debatendo e buscando uma Justiça melhor para todos", afirmou.
 
Tanto nas zonais quanto no Colégio de Presidentes, os juízes ouviram reclamações de dirigentes de subseções. A falta de juízes, a carência de servidores e problemas estruturais em fóruns e juizados foram as críticas mais constantes. Para Gonçalves, os debates são o melhor modo para detectar falhas e produzir soluções. "Nosso objetivo é trabalhar conjuntamente, já que todos nós queremos uma Justiça mais célere e uma melhor prestação jurisdicional. A pauta é coesa, coerente e comum. Os problemas no Sul do estado são muito similares aos do Noroeste Fluminense", exemplificou.
 
Aproveitando o debate estimulado por Lamachia, os juízes citaram as prerrogativas profissionais como fundamentais e fizeram considerações sobre a digitalização da Justiça. "O processo eletrônico não pode ser um fim em si mesmo. É preciso tomar cuidado para que o amplo acesso à Justiça, garantido pela Constituição, não seja vedado sob o pretexto de um Judiciário mais célere", disse Gonçalves.
 
O diretor do Departamento de Apoio às Subseções (DAS), Carlos André Pedrazzi, entregou aos magistrados medalhas em reconhecimento ao esforço feito em prol da advocacia. "Eu advoguei durante muito tempo, e desde o tempo em que era estagiário sei da importância das honrarias concedidas pela Ordem, estou muito emocionado com a homenagem", afirmou Gonçalves. Ele e Ferraz declararam o desejo de transformar a participação de juízes da Corregedoria do TJ em uma postura institucional. "Planejamos a elaboração de um documento recomendando que isso se repita independentemente de quem estiver no comando das duas instituições", finalizou Ferraz.
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