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12/06/2018 – 18h47 | última atualização em 13/06/2018 – 11h42

Evento da OAB Mulher sobre violência psicológica gera relatos emocionados

Fonte: redação da Tribuna do Advogado
           Foto: Lula Aparício |   Clique para ampliar
 
Clara Passi
O que era para ser uma roda de conversa sobre violência psicológica promovida pelo Grupo de Trabalho de Enfrentamento à Violência de Gênero da OAB Mulher acabou desaguando numa sessão de ajuda mútua, uma espécie de catarse coletiva, em que a plateia, majoritariamente feminina, e até algumas debatedoras, sentiram-se à vontade para compartilhar tocantes relatos pessoais sobre o tema.
 
Agendado, propositalmente, para este 12 de junho, Dia dos Namorados, o evento trouxe à OAB/RJ profissionais que trabalham no acolhimento a vítimas desse tipo de violência insidiosa que, segundo estudos, muitas vezes precede outros tipos de ataques e não é menos grave do que as agressões físicas em termos de potencial de gerar doenças. As mulheres não são as únicas vítimas, mas são a esmagadora maioria. A Lei Maria da Penha foi a primeira a tipificá-la no ordenamento jurídico brasileiro.
 
Com inscritos acomodados em cadeiras extras num dos plenários da Seccional, o evento começou com a exibição de uma campanha que mostrava uma mulher sendo constrangida por frases abusivas do companheiro e instava vítimas a denunciarem ao telefone 180. Depois, falaram, pela Ordem, a presidente da OAB Mulher, Marisa Gaudio, e a coordenadora do GT de Enfrentamento à Violência de Gênero da comissão Rebeca Servaes. Além delas, fizeram exposições a diretora do comitê de gênero do Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop) Rosa Maria Santos Souza, a psiquiatra coordenadora do ambulatório de Transtorno de Estresse Pós-Traumático do Instituto de Psiquiatria da UFRJ Mariana Luz, a defensora pública titular do Núcleo de Defesa dos Direitos das Mulheres (Nudem) Simone Estrelitta e a integrante do Movimento Negro Unificado (MNU) e pesquisadora de saúde mental da população negra Aline Maia. No final, houve contribuições da plateia.
 
Foto: Lula Aparício   |   Clique para ampliar
“Cada uma de nós tem histórias que, talvez não percebamos, configuram violência psicológica. Já ouvi de um companheiro que eu não podia mexer tanto no meu cabelo, cumprimentar meus amigos com beijos no rosto e até que aquela celulite não estava ali ontem. O trabalho na OAB me ajudou a perceber que isso não era normal”, disse Gaudio.
 
Mariana Luz expôs dados colhidos na prática clínica: “Violência é substantivo feminino. No país, não há tantos dados sobre violência emocional, que não ocorre só em casamentos, mas também em namoros ou com mulheres divorciadas que continuam vinculadas ao marido”, assinala ela, ressaltando que esse padrão nocivo é passado de geração em geração.  Servaes fez um apelo às advogadas para que incluam dados clínicos nas petições para reforçar a gravidade do assunto.
 
Estrelitta afirmou que este tipo de violência é mais invisibilizada porque sua exposição “viola a sacralidade da família perante a sociedade” e relatou que agressores  costumam enredar as vítimas numa rotina de medo, ameaçando agredir filhos, animais domésticos e objetos preferenciais. Ela listou ataques típicos, como: “você é uma péssima mãe", "não serve para ter um marido" ou até "nenhum outro homem irá te querer". "A mulher se desumaniza para virar a cadela, a vadia. Assim, fica ainda mais vulnerável.” Para ela, a violência psíquica é uma afronta ao direito fundamental da liberdade, pois a vítima não consegue viver a plenitude de sua vida.
 
Aline sublinhou que mais da metade das vítimas de violência psicológica que chegam às delegacias especializadas são mulheres negras e deu um longo relato pessoal sobre os abusos psicológicos, ameaças e estupros que sofreu em seu casamento e apontou como caminho uma construção sadia da auto-estima da mulher, desde a infância.
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